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Moradia António Bravo - detalhe
Designação
Localização
Avenida 5 de Outubro
Lisboa
1050 Lisboa
Protecção
Despacho de homologação de 25-07-2007 da Ministra da Cultura
Descrições
Esta moradia da Avenida 5 de Outubro, conhecida pelo nome de um dos seus proprietários, foi projectada em 1926 pelo arquitecto Porfírio Pardal Monteiro, por encomenda de Félix Ribeiro Lopes. O edifício ficou construído em 1929, recebendo imediatamente (em 1930) o Prémio Valmor. Logo após o fim da obra principal, a propriedade foi acrescida de garagem e capoeira, ambas projectadas pelo Engenheiro José Nóbrega. Em 1956, sendo já proprietário António Bravo, o arquitecto Manuel Laginha (que interviria em outras casas de Pardal Monteiro) é encarregado de remodelar a moradia e projectar uma nova garagem, área de serviços e viveiro de aves. Na remodelação, destinada sobretudo a adaptar o imóvel às novas exigências de conforto, procurou-se preservar a concepção inicial do mesmo, cujo equilíbrio das proporções, harmonia da decoração e cuidadoso estudo dos pormenores constavam do parecer do prémio Valmor. Este esforço de conservação da feição original da moradia foi então bem sucedido, e contrariado apenas em 2005, quando se procedeu à demolição da garagem original. Em todo o caso, a moradia António Bravo mantém-se ainda como um interessante e bem conservado exemplar da (parca) arquitectura portuguesa modernista das primeiras décadas do século XX, e como a única, da série de habitações unifamiliares realizadas por Pardal Monteiro para as Avenidas Novas, que ainda existe.
A moradia foi projectada para ocupar a maior parte da área do lote de terreno onde se insere, respeitando igualmente a sua planta quadrangular. A tendência modernista, patente nas linhas simples e na sobriedade decorativa das obras coevas de Pardal Monteiro, traduz-se aqui também no volume único e paralelepipédico, cuja aparência de "caixa" é reforçada pela ocultação do telhado (de 4 águas, com pouca pendente), para lá de uma larga cornija de perfil rectilíneo. No entanto, e aqui como nas outras duas casas projectadas para as Avenidas (ambas na Avenida da República), a linearidade é quebrada por uma varanda de canto, ainda que integrada na estrutura cúbica. A fachada principal é revestida a cantaria, "pormenor" denunciador do nível económico do cliente, bem como do estatuto de residência da alta burguesia que o bairro viria a consolidar progressivamente. De ressalvar ainda o rasgamento de janelas triplas, que seria igualmente utilizado nas outras moradias referidas, e que assume particular destaque no piso nobre (de três).
Entre os elementos mais propriamente ornamentais, genericamente integráveis na linguagem Art Déco, mas já não puramente académicos, destacam-se os relevos escultóricos de algumas cantarias, mísulas e floreiras, ou os elegantes gradeamentos das janelas e sacadas, com motivos florais que complementam com graciosidade a decoração geometrizante dos painéis e frisos de mosaicos brilhantes, dourados e multicolores, aplicados a intervalos ritmados. Com estes detalhes convivem ainda pilastras, colunas e cornijas de recorte clássico, em aplicações simétricas, ou reforçando a linearidade (horizontal e vertical) do conjunto.
A moradia encontra-se em bom estado de conservação, e, conforme referido, sem grandes alterações estruturais em relação ao projecto original. Embora esteja ladeada, à esquerda da fachada, por um prédio incaracterístico, possui ainda um certo desafogo, garantido pelo pequeno jardim e estacionamento do lado oposto, acessíveis por portão de ferro forjado. A sua classificação, plenamente justificada pelo valor intrínseco do imóvel e pela sua integração na obra de Porfírio Pardal Monteiro, serve ainda o propósito de defender a memória e a qualidade arquitectónica da cidade, para cuja renovação estética este arquitecto tanto contribuiu.
Sílvia Leite / DIDA / IGESPAR, I.P. / 08-08-2007





