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Palacete Belmarço - detalhe
Designação
Localização
Rua José Maria Brandeiro
Faro
Rua de São Francisco
Faro
Largo D. Marcelino Franco
Faro
Protecção
Procedimento prorrogado até 30 de junho de 2013 pelo Decreto-Lei n.º 265/2012, DR, 1.ª série, n.º 251, de 28-12-2012 (ver Diploma)
Anúncio n.º 13570/2012, DR, 2.ª série, n.º 200, de 16-10-2012 (ver Anúncio)
Procedimento prorrogado pelo Decreto-Lei n.º 115/2011, DR, 1.ª série, n.º 232, de 5-12-2011 (ver Diploma)
Procedimento prorrogado pelo Despacho n.º 19338/2010, DR, 2.ª série, n.º 252, de 30 de Dezembro (ver Despacho)
Parecer de 13-01-2005 do Conselho Consultivo do IPPAR a propor a classificação como MIP
Proposta de 29-01-2004 da DRFaro para a classificação como IIP
Despacho de abertura de 15-05-2002 do Vice-Presidente do IPPAR
Proposta de abertura de 9-07-2001 da DRFaro
Proposta de classificação de 14-07-2000 da CM de Faro
Proposta de 05-12-2007 da DRCAlgarve para uma ZEP do Núcleo Histórico de Faro, abrangendo este imóvel parcialmente
Descrições
O projecto foi encomendado ao famoso Arquitecto Manuel Joaquim Norte Júnior em 1912, por um abastado comerciante da cidade de Faro - o Sr. Manuel de Jesus Belmarço, que nele pretendia viver. Formalmente, trata-se de um edifício que reflecte o gosto do tempo - é um interessante exemplar da Arquitectura Revivalista e Eclética que marcou a estética da arte da edificação desde a segunda metade do século XIX e até inícios do século XX, no nosso país em geral, e na cidade de Faro em particular, e onde pontuam também algumas "incursões", ao gosto Arte Nova. Através destas manifestações pretendeu-se, na altura, afirmar o esforço de renovação e inovação arquitectónica na cidade, a qual pretendia deste modo acompanhar o que de mais moderno se fazia na capital do país, entregando a um dos mais conceituados arquitectos de então, essa mesma renovação. Exteriormente, o edifício organiza-se em dois pisos, com excepção do torreão da esquina onde toma a forma de três andares. Amplamente fenestrado, ele apresenta-se-nos com bastante plasticidade. Na fachada principal e no rés-do-chão, uma porta de acesso divide ao meio, para a esquerda e para a direita, o edifício. As janelas possuem diferentes formas e tamanhos. Todas, porém, apresentam os vãos curvos, em forma de berço e de arco abatido, seja no piso térreo ou nos dois andares que lhe ficam por cima. Neles, são de destacar as molduras enquadradas por colunelos. O primeiro e segundo pisos, possuem varandas de ferro. O edifício conjuga em si diversos elementos decorativos que concorrem para "forrar" a sua estrutura, e que percorrem os estilos nacionais desde o românico ( arcos de volta perfeita, cachorros, matacães, arcos de volta inteira separados por finos colunelos), passando pelo estilo renascença (frontões triangulares, aduelas, pilastras adossadas almofadadas) ao barroco (volutas em caracol) coroando o torreão no terceiro piso, rematado este com uma espécie de coruchéu modesto, participando, por isso exemplarmente, da estética eclética. No torreão, destaca-se pela sua graciosidade, uma decoração em massa que representa uma jarra com flores. Este elemento decorativo situa-se ao centro das duas janelas e conjuga-se simetricamente com as volutas em caracol que rematam o topo do torreão .O busto de uma figura feminina, com flores no toucado e desdobrando-se em cachos de um lenço que cinge o pescoço, tão comum na decoração de habitações de pessoas notáveis da época, decora o portal principal da fachada da casa. No interior, são de destacar os azulejos datados de 1916 e assinados por "Pinto", representando diversos edifícios emblemáticos da afirmação da arte nacional, tão enaltecida exactamente neste período: a torre de Belém em Lisboa, o Palácio da Pena em Sintra. Este último é uma construção paradigmática do gosto que, como sabemos, marcou as construções notáveis da época no nosso país, e se desenvolverá na segunda metade do século XIX , mantendo-se ainda no começo do século XX. É ainda digna de realce, nesta parte do edifício, a escada que confere acesso ao andar nobre da casa, cuja decoração em ferro participa já do estilo Arte Nova. (Maria de Fátima Silva/DRFaro/2002)





