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Ruínas romanas situadas na freguesia de Sã Salvador de Aramenha, incluindo a parte da via romana e a ponte denominada Ponte Velha que se encontra junto às mesmas - detalhe
Designação
Localização
Estrada da Calçadinha
Lugar da Portagem
7330 São Salvador da Aramenha
Protecção
Descrições
Se o actual concelho de Marvão se destaca pela abundância de tipologias megalíticas (COELHO, P. M. L., 1988, pp. 39-45), não é menos verdade que a época romana trouxe à região uma outra notabilidade, certamente decorrente dos recursos cinegéticos existentes, nomeadamente no que a terrenos agricultáveis dizia respeito, razões mais do que suficientes para que se erguessem, tanto no termo de Marvão, como nos actuais concelhos limítrofes, algumas das uillas mais significativas em termos de informação arqueológica.
Constituindo uma das civitates existentes no actual Alentejo, englobando S. Salvador de Aramenha e, precisamente, Marvão (ALARCÃO, J. M. N. L. de, 1990, p. 364), a antiga cidade de Ammaia perfazia uma das traves mestras da afirmação do Império romano, que contemplava a implementação de uma política administrativa assente em dois vectores vitais para a sua perduração no tempo: na definição de unidades político-administrativas e no traçado de vias que assegurassem uma ligação permanente e célere entre os principais centros.
Depois de ter sido referido por diversos autores, desde Gaius Plinius Secundus (23-79 d. C), mais conhecido como Plínio, o Velho, na sua obra de referência Naturalis Historia, a cidade foi identificada, em definitivo, pelo director do "Museu de Etnologia Português", José Leite de Vasconcellos (1858-1941), decorria, então, o ano de 1935 (Cf. OLIVEIRA, J., CUNHA, S. S. S. S., 1999). Um reconhecimento emergido após um longo período durante o qual predominou a teoria da sua localização sob o actual centro histórico de Portalegre, assente na leitura de uma inscrição existente numa parede da ermida do Espírito Santo, daquela cidade, mas que, à semelhança de outros trechos arquitectónicos, e seguindo, no fundo, uma tradição que se perde no tempo, fora transportada das ruínas da antiga urbe romana, de modo a ser reutilizada num novo espaço revestido de outro significado.
Considerados durante muito tempo como pertencendo a uma cidade romana denominada Medobriga -, acompanhando uma tradição iniciada pelo humanista André de Resende (c. 1500-1573) -, os vestígios de Ammaia, fundada pelos romanos e ocupada, já no século IX, pelo muladi Ibn Maruán (Id., Idem, p. 106), distribuem-se ao longo das margens do rio Sever, em terrenos particularmente férteis, ocupando uma área superior a vinte hectares.
Entretanto, as escavações arqueológicas iniciadas já em 1994 colocaram a descoberto um número e uma qualidade de estruturas que permitem afirmar estarmos, até ao momento, em presença do testemunho mais importante da presença romana em todo o Alto Alentejo.
De entre as construções exumadas constam as correspondentes ao antigo forum (praça pública) de dimensões consideráveis e pavimentado com lajes graníticas, onde se erguia o podium de um templo, a par de vestígios dos antigos banhos públicos e de um teatro. Não foram, contudo, ainda encontrados "Os mosaicos, aquedutos e calçadas que os autores dos séculos XVI, XVII e XVIII referem [...]." (Id., Idem, p. 109).
Da abundante estatuária existente na cidade subsiste apenas um exemplar, recolhendo-se, não obstante, vários testemunhos epigráficos, hoje expostos no Museu Municipal de Marvão, enquanto os artefactos encontrados por António Maçãs, "[...] residente em Portalegre, proprietário agrícola e pequeno industrial no concelho de Marvão [...]." (Id., Idem, p. 106) foram conduzidos para o actual Museu Nacional de Arqueologia.
[AMartins]





