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Ermida de Santo André - detalhe

Designação

Designação
Ermida de Santo André
Outras Designações
-
Categoria / Tipologia
Arquitectura Religiosa / Ermida
Inventário Temático
-

Localização

Divisão Administrativa
Beja / Beja / Beja (Santiago Maior)
Endereço / Local

Estrada Nacional 121, à saída de Beja
Beja
0000 000 -

Protecção

Situação Actual
Classificado
Categoria de Protecção
Classificado como MN - Monumento Nacional
Cronologia
Decreto de 16-06-1910, DG n.º 136, de 23-06-1910 (ver Decreto)
ZEP
Portaria publicada no DG, II Série, n.º 82, de 6-04-1961
Zona "non aedificandi"
-
Abrangido em ZEP ou ZP
Sim
Abrangido por outra classificação
Não
Património Mundial
-

Descrições

Nota Histórico-Artistica

Reza a tradição que a Ermida de Santo André foi fundada pelo rei D. Sancho I, aquando da primeira conquista da cidade aos mouros, em 1162; esta é, no entanto, uma data sem suporte histórico, uma vez que só em 1232, já no tempo de D. Sancho II, o burgo entrou definitivamente em posse cristã. Ainda assim, esta lenda inspirou ao longo dos tempos várias manifestações de devoção, e encontrou eco na obra de mais de um autor; a igreja conserva uma inscrição, datada de 1902, reproduzindo a lenda da fundação medieval, onde se lê ERMIDA DE S.to ANDRÉ / MANDADA EDIFICAR P.r D. SANCHO I.º / EM HONRA DA TOMADA DE BEJA AOS MOUROS / PELO CAPITÃO GENERAL FERNÃO GONÇALVES / NA MADRUGADA DE 30 DE NOVEMBRO DE 1162 / RECONSTRUÇÃO OGIVAL DO SÉCULO XV (ESPANCA, Túlio, 1966). De qualquer forma, o edifício existente nada tem a ver com a eventual construção dos séculos XII ou XIII, por ser o templo actual obra gótico-mudéjar do final do século XV ou do início do século XVI, talvez atribuível à acção mecenática de D. Manuel, possivelmente enquanto duque de Beja. Nitidamente inspirado no modelo eborense de S. Brás, de encomenda joanina, a ermida foi considerada por Túlio Espanca como enquadrável na órbita construtiva do mestre do Mosteiro da Batalha João de Arruda, arquitecto de Évora que, na qualidade de avaliador das obras do paço da infanta D. Brites, mãe de D. Manuel, e a sugestão do rei D. João II, se havia deslocado a Beja no ano de 1485 (ESPANCA, Túlio, 1966).
A ermida inscreve-se assim no tipo muito regional dos pequenos templos ameiados, com robustos contrafortes cilíndricos e coruchéus cónicos, erguidos extra-muros, perto das cinturas defensivas dos burgos; esta localização, aliás, justifica a proximidade de uma gafaria que aí existiu. Exteriormente, desenvolve-se em sucessão de volumes escalonados, sendo o corpo da igreja, inteiramente caiada, todo envolvido por doze botaréus cilíndricos mais elevados nas fachadas laterais, e coroado por um friso de merlões chanfrados que se prolonga pelo remate da ábside, um corpo cúbico rebaixado e perfurado por gárgulas de figuração zoomórfica. Na fachada principal destaca-se o nártex, com cobertura de cruzaria de ogivas, aberto em três arcos de volta inteira, para onde deita um pequeno campanário assente no frontão triangular da fachada, mais elevado. Os botaréus do nártex são iguais aos da igreja bejense de Santa Maria, com os coruchéus rodeados por uma cinta de merlões semelhantes aos do corpo principal.
De planta longitudinal, o interior é de nave única, com abóbada de berço quebrado e quatro tramos de arcos torais assentes sobre mísulas. As paredes conservam vestígios de pinturas murais quinhentistas, quase totalmente destruídos por uma intervenção de meados do século XIX, que as revestiu com azulejos polícromos, do tipo de maçaroca de milho e faixas naturalistas, recolhidos do demolido convento de Santa Clara (ESPANCA, Túlio, 1966). A capela-mor, aberta por arco ogival, é iluminada por uma estreita fresta, e as paredes são totalmente revestidas a azulejos. No frontal do altar existe ainda uma pintura a fresco do ciclo manuelino, representando dois anjos tenentes a sustentar o escudo de Portugal. O retábulo, de talha maneirista tardia e com empena triangular, enquadra dois quadros de pintura mural a fresco, figurando uma cena do martírio de Santo André e um Calvário, obras de factura tardo-quinhentista que ladeiam um nicho com uma imagem estofada do padroeiro, peça de factura regional datável de c. 1600. O templo guarda ainda um grande capitel coríntio em mármore, que serve de pia de água benta.
A igreja foi destinada a capela do Cemitério Público em 1939, embora por pouco tempo, após intervenções de natureza arqueológica. SML

Imagens

Bibliografia

Title
"Inventário Artístico de Portugal - Distrito de Beja, Vol. XII"
Local
Lisboa
Date
1992
Autor(es)
ESPANCA, Túlio



Title
""A Ermida de Santo André", in Boletim oficial da Junta da Província do Baixo Alentejo"
Local
-
Date
1937
Autor(es)
BRITO, Diogo de Castro e



Title
"El mudejarismo en la arquitectura portuguesa de la epoca manuelina"
Local
Madrid
Date
1955
Autor(es)
PEREZ EMBID, Florentino



Title
"Manuelino. À descoberta da arte do tempo de D. Manuel I"
Local
Lisboa
Date
2002
Autor(es)
DIAS, Pedro



Title
"A arquitectura manuelina"
Local
Vila Nova de Gaia
Date
2009
Autor(es)
DIAS, Pedro



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