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Capela do Paço da Bemposta - detalhe
Designação
Localização
- Paço da Rainha
Lisboa
Protecção
Descrições
O Paço da Bemposta foi mandado edificar, no início do século XVIII, por D. Catarina, Rainha de Inglaterra, mulher de Carlos II e filha do monarca português D. João IV. Na verdade, a rainha-viúva havia regressado a Portugal em 1693, alguns anos depois da morte do marido, tendo residido em vários palácios de nobres da corte, como o palácio do Conde de Redondo, em Santa Marta, ou o palácio do Conde de Aveiras, em Belém.
Desejando, porém, ter residência própria, D. Catarina adquiriu em 1701 as propriedades do sítio da Bemposta, já fora dos limites da capital na época, e contratou o arquitecto João Antunes para executar a traça do palácio e da respectiva capela, dedicada a Nossa Senhora da Conceição.
Depois da morte da rainha, em 1705, o paço foi transferido para a posse da Coroa, por vontade expressa da proprietária, e no reinado de D. João V, o monarca integrou-o na Casa do Infantado.
O terramoto de 1755 danificou profundamente a estrutura do paço seiscentista, destruindo quase por completo a capela. Assim, foi designado para executar a reconstrução do conjunto Manuel Caetano de Sousa, arquitecto da Casa do Infantado. A capela, na realidade, acabou por ser construída de raiz, embora mantivesse o enquadramento primitivo, sendo considerada a obra "mais equilibrada e mais feliz" (ATAÍDE, 1975, p. 144) daquele que é considerado o último arquitecto barroco.
De planta rectangular, o templo implanta-se perpendicularmente em relação ao paço, apresentando uma imponente fachada, precedida por grande escadaria, com vestíbulo preenchido por estátuas de mármore inseridas em nichos, representando Santa Isabel e São João Baptista, executadas por José de Almeida e Barros Laborão, da Escola de Mafra.
O programa decorativo do espaço interior denuncia a influência de uma das maiores obras do barroco português, a Capela de São João Baptista, da Igreja de São Roque. Na Capela da Bemposta, copiam-se "com inigualável performance" os materiais raros e luxuosos da obra-prima do barroco joanino, modelando-os num gosto rococó tardio, repleto de cor, que se abre a manifestações já neoclássicas.
Destacam-se as pinturas em trompe l'oeil de Pedro Alexandrino, que decoram a abóbada da nave e o tecto da capela-mor, e o grande painel que representa Nossa Senhora da Conceição, colocado no altar-mor, atribuído ao pintor italianio José Troni, sob o qual foi colocado um friso de retratos de elementos da família real, que terão sido executados pelo retratista irlandês Thomas Hickey.
Catarina Oliveira
DIDA/IGESPAR, I.P./ 16 de Outubro de 2007





