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Mosteiro de Alcobaça - detalhe
Designação
Localização
Praça 25 de Abril
Alcobaça
2460 Alcobaça
Protecção
Decreto de 10-01-1907, DG n.º 14, de 17-01-1907
Parecer favorável de 18-05-2011 da SPAA do Conselho Nacional de Cultura
Proposta de alteração de 30-11-2010 da DRCLVT
Despacho concordante de 24-01-1996 do Ministro da Cultura
Parecer favorável de 27-02-1995 do Conselho Consultivo do IPPAR
Proposta de alteração de 14-12-1989 do IPPAR
Portaria publicada no DG, II Série, n.º 190, de 16-08-1957 (ZEP conjunta do Mosteiro de Alcobaça e da Capela de Nossa Senhora do Desterro)
Descrições
A Abadia de Alcobaça é um dos mais importantes mosteiros cistercienses medievais. Ao estatuto de monumento emblemático da Ordem durante o século XIII, a nível europeu, juntam-se os de primeira obra inteiramente gótica de Portugal e de segundo panteão da monarquia nacional, depois dos enterramentos régios de D. Afonso I e de D. Sancho I em Coimbra.
O mosteiro foi fundado em 1153 por doação do nosso primeiro monarca a Bernardo de Claraval. Alguns autores sugeriram que, imediatamente após esta data, a construção tenha arrancado, segundo uma rígida planta bernardina (muito provavelmente a de Fontenay), projecto historiograficamente conhecido como Alcobaça I (COCHERIL). A verdade, porém, é que estudos posteriores rejeitaram esta hipótese e parece hoje relativamente consensual o arranque da obra somente em 1178 (GUSMÃO, 1948).
Este estreitamento da cronologia da obra fundacional, entre 1178 e os meados do século XIII (o templo foi sagrado em 1252), está longe de corresponder a uma etapa construtiva unitária. De acordo com os mais recentes estudos, são três os momentos distintos marcados no monumento. À primeira fase pertence o "traçado geral do convento (...) e a construção da parte mais importante da cabeceira, transepto e coro dos monges" (REAL, 1998: 89). Devido a um mestre francês, formado nitidamente em Claraval (em cujo plano o monumento português se filia), a opção foi por uma cabeceira com capela-mor de duplo tramo (o segundo semi-circular), ladeada por deambulatório onde se abriam originalmente nove capelas radiantes, de planta trapezoidal com parede fundeira rectangular. Uma das suas grandes novidades foi a inclusão de arcobotantes a amparar o deambulatório, solução claramente gótica e sem paralelo, até então, no nosso país.
Quando a obra chegou ao quinto tramo do corpo, deu-se uma mudança na orientação do projecto. Entre as alterações então efectuadas, salienta-se a diferente elevação das naves, que passaram a estar quase à mesma altura, e a adopção de um repertório decorativo de tendência coimbrã nos capitéis (IDEM: 89). Finalmente, os dois últimos tramos e a fachada devem-se a um terceiro mestre, que rematou o conjunto com uma galilé e o actual portal principal, a que se sobrepunha uma fachada em empena. Tendo em conta que o corpo de D. Afonso II foi trasladado para esta galilé em 1233, é de crer que a obra estaria praticamente pronta por essa altura (IDEM: 90).
Apesar destas diferenças, o conjunto impressiona, ainda hoje, pela sensação de normalização dos elementos que o constituem, a que não foram alheias as primordiais directrizes bernardinas de austeridade e simplicidade. A opção pelos capitéis vegetalistas (quase invisíveis na massa vertical de suportes e de paredes) e o ritmo ordenado dos tramos do corpo são a marca mais evidente dessa tendência estética, tão característica dos cistercienses, a que não falta uma sugestão militar transmitida pelo coroamento contínuo de merlões (PEREIRA, 1995: 351).
Nas primeiras décadas do século XIV, construiu-se o claustro, ao que tudo indica com o patrocínio de D. Dinis. Ele foi executado pelo arquitecto Domingos Domingues, cujo nome consta de uma lápide in situ. Artisticamente, é uma obra que denota "hesitações de programa e encurtamentos" (PEREIRA, 1995: 378), mas cujos capitéis, tematicamente muito variados e de assinalável qualidade técnica, nada têm já de românico. Deverá ter existido, todavia, um primeiro projecto, de que restam alguns vestígios (ALMEIDA e BARROCA, 2002: 40-41)
Ao longo dos séculos seguintes, foram muitas as obras e transformações no mosteiro. Como principal panteão régio da primeira dinastia, aqui se fizeram sepultar D. Pedro e D. Inês de Castro, em dois túmulos de qualidade ímpar a nível europeu. Na época manuelina, registaram-se novas obras, como o átrio da sacristia e o seu decorado portal e, no Barroco, novas realizações de actualização estética. Já neo-gótica é a sala dos túmulos, aberta para o braço Sul do transepto.
PAF





