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Castelo de Almourol - detalhe

Designação

Designação
Castelo de Almourol
Outras Designações
-
Categoria / Tipologia
Arquitectura Militar / Castelo
Inventário Temático
-

Localização

Divisão Administrativa
Santarém / Vila Nova da Barquinha / Praia do Ribatejo
Endereço / Local

Ilha de Almourol
Almourol
2260 101 PRAIA DO RIBATEJO

Protecção

Situação Actual
Classificado
Categoria de Protecção
Classificado como MN - Monumento Nacional
Cronologia
Decreto de 16-06-1910, DG n.º 136, de 23-06-1910 (ver Decreto)
ZEP
Parecer concordante do Conselho Consultivo do IGESPAR, I.P. em 3-03-2009 (só entrará em vigor após publicação no DR)
Proposta da DRCLVT de 11-08-2008
Zona "non aedificandi"
-
Abrangido em ZEP ou ZP
Sim
Abrangido por outra classificação
Não
Património Mundial
-

Descrições

Nota Histórico-Artistica

Situado numa pequena ilha escarpada, no curso médio do rio Tejo, o Castelo de Almourol é um dos monumentos militares medievais mais emblemáticos e cenográficos da Reconquista, sendo, simultaneamente, um dos que melhor evoca a memória dos Templários no nosso país.
As origens da ocupação deste local são bastante antigas e, por isso mesmo, enigmáticas. Alguns autores referiram a possibilidade de aqui se ter instalado um primitivo reduto lusitano, ou pré-romano, posteriormente conquistado por estes, e com vagas de ocupação ao longo de toda a Alta Idade Média. Fosse como fosse, o certo é que em 1129, data da conquista deste ponto pelas tropas portuguesas, o castelo já existia e denominava-se Almorolan.
Entregue aos Templários, que então efectivavam o povoamento entre o Mondego e o Tejo, sendo mesmo os principais responsáveis pela defesa da capital, Coimbra, o castelo foi reedificado e assumiu as características arquitectónicas e artísticas essenciais, que ainda hoje se podem observar. Através de uma epígrafe, colocada sobre a porta principal, sabemos que a conclusão das obras deu-se em 1171, escassos dois anos após a grandiosa obra do Castelo de Tomar, mandada edificar por Gualdim Pais, cuja actividade construtiva à frente da Ordem, nas décadas de 60 e 70 do século XII, foi verdadeiramente surpreendente. São várias as características que unem ambos, numa mesma linha de arquitectura militar templária. Em termos planimétricos, a opção por uma disposição quadrangular dos espaços. Em altura, as altas muralhas, protegidas por nove torres circulares, adossadas, e a torre de menagem, verdadeiro centro nevrálgico de toda a estrutura.
Estas últimas características constituem dois dos elementos inovadores com que os Templários pautaram a sua arquitectura militar no nosso país. Com efeito, como deixou claro Mário Barroca, a torre de menagem é estranha aos castelos pré-românicos, aparecendo apenas no século XII e em Tomar, o principal reduto defensivo templário em Portugal (BARROCA, 2001, p.107). A torre de menagem do castelo de Almourol tinha três pisos e foi bastante modificada ao longo dos tempos, mas mantém ainda importantes vestígios originais, como a sapata, que nos dá a dimensão geral da estrutura. Por outro lado, também as muralhas com torreões adossados, normalmente providas de alambor, foram trazidas para o ocidente peninsular por esta Ordem, e vemo-las também aplicadas em Almourol.
Extinta a Ordem, e afastada a conjuntura reconquistadora que justificou a sua importância nos tempos medievais, o castelo de Almourol foi votado a um progressivo esquecimento, que o Romantismo veio alterar radicalmente. No século XIX, inserido no processo mental de busca e de revalorização da Idade Média, o castelo foi reinventado, à luz de um ideal romântico de medievalidade. Muitas das estruturas primitivas foram sacrificadas, em benefício de uma ideologia que pretendia fazer dos monumentos medievais mais emblemáticos verdadeiras obras-primas, sem paralelos na herança patrimonial. Data, desta altura, o coroamento uniforme de merlões e ameias, bem como numerosos outros elementos de índole essencialmente decorativa e muito pouco prática.
No século XX, o conjunto foi adaptado a Residência Oficial da República Portuguesa, aqui tendo lugar alguns importantes eventos do Estado Novo. O processo reinventivo, iniciado um século antes, foi definitivamente consumado por esta intervenção dos anos 40 e 50, consumando-se, assim, o fascínio que a cenografia de Almourol causou no longo Romantismo cultural e político português.
PAF

Imagens

Bibliografia

Title
"Castelos da Ordem do Templo em Portugal, 1120-1314"
Local
-
Date
-
Autor(es)
OLIVEIRA, Nuno Villamariz



Title
"Os mais belos castelos e fortalezas de Portugal"
Local
Lisboa
Date
1986
Autor(es)
GIL, Júlio, CABRITA, Augusto



Title
"A gloriosa história dos mais belos castelos de Portugal"
Local
Barcelos
Date
1969
Autor(es)
PERES, Damião



Title
"Programa de Recuperação dos Castelos"
Local
Lisboa
Date
2000
Autor(es)
-



Title
"Castelos Portugueses"
Local
Lisboa
Date
2002
Autor(es)
MONTEIRO, João Gouveia, PONTES, Maria Leonor



Title
"Castelos de Portugal"
Local
Lisboa
Date
1988
Autor(es)
MATTOSO, José



Title
"Castelos em Portugal. Retrato do seu Perfil Arquitectónico"
Local
Coimbra
Date
2010
Autor(es)
CORREIA, Luís Miguel Maldonado de Vasconcelos



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