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Paço dos Duques de Bragança - detalhe
Designação
Localização
Rua R. Conde D. Henrique
Monte Latito ou Falperra
4810 245 Guimarães
Protecção
Descrições
Mandado construir no primeiro quartel do século XV, provavelmente entre 1420 e 1422, por D. Afonso, Conde de Barcelos - filho bastardo de D. João I e futuro Duque de Bragança -, a edificação do Paço coincidiu com a concretização do seu segundo casamento, altura em que fixou residência em Guimarães.
Não está ainda completamente definida a estrutura original deste paço, tremendamente restaurado no século XX e com soluções vincadamente inventivas. Por outro lado, a sua construção não foi uniforme, demorando-se o estaleiro por todo o século XV e avançando mesmo pela centúria de Quinhentos.
Estruturado a partir de um pátio central quadrangular, as alas laterais albergam as dependências mais importantes, enquanto que a capela se encontra no lado oposto à entrada, na ala que em melhor estado chegou aos nossos dias. Tais características básicas fazem deste monumento um dos melhores exemplos portugueses da tradição construtiva nobre tardo-medieval, em pleno desenvolvimento nas regiões francesas desde a segunda metade do século XIV, e de que o Palácio dos Reis de Maiorca, em Perpignan, são um fiel modelo (SILVA, 1996, p.32).
Na viragem para o século XVI, prosseguindo as obras, tudo indica que se tenha procurado maior monumentalidade, acrescentando-se, para isso, um piso sobre a porta principal. Este segundo impulso construtivo terá sido determinado pelo segundo duque de Bragança, D. Fernando, e a ele deveremos a rigorosa simetria em altura de todo o conjunto (Ibidem, pp.32-33). A organização funcional dos espaços, contudo, deverá datar do projecto original, e compreende duas grandes áreas divididas em altura: no primeiro piso, as dependências de serviços e de apoio; no segundo, as habitações nobres, estruturadas a partir da capela em áreas para o duque e para a duquesa.
Curta vida funcional teve, contudo, este paço. Nesse mesmo século XVI, a transferência do duque de Bragança para Vila Viçosa determinou o encerramento do paço de Guimarães durante largos períodos. Sensivelmente um século depois, dava-se início à grande sangria do monumento, com uma primeira autorização régia de utilização da sua pedra.
Os séculos seguintes foram de profunda degradação, continuando a sua pedra a ser dispersa por várias obras da cidade e agravando-se o seu estado com novas funcionalidades, como a de quartel, a partir de 1807. Nos inícios do século XX, a estrutura medieval encontrava-se irremediavelmente corrompida.
O radical restauro efectuado a partir de 1937, da autoria do Arquitecto Rogério de Azevedo, foi tão polémico como revitalizador. A opção restauradora baseou-se na análise de outros paços medievais estrangeiros, mas também numa pretensa ilusão de monumentalidade, que os homens da década de 30 do século XX estavam longe de assegurar. Nestas obras confluíram ainda outros aspectos de índole político-religiosa, tão característicos do Estado-Novo, cuja natureza nacionalista do regime via na Guimarães medieval o mais poderoso e genuíno traço do povo português. Não admira, neste sentido, que o paço tenha sido transformado em residência oficial do Presidente do Conselho e da Presidência da República, este último cargo que acumula até ao presente.
Na actualidade, parte do imóvel encontra-se reconvertido em Museu, cuja colecção e disposição tem por objectivo a aproximação a um quotidiano do paço durante os séculos XVI e XVII. Do vasto espólio, destaca-se, pelo seu valioso contributo para a História dos Descobrimentos, o conjunto de quatro cópias das tapeçarias de Pastrana, que narram alguns dos passos das conquistas do Norte de África e cujo desenho vem sendo atribuído ao pintor Nuno Gonçalves, autor do políptico de São Vicente de Fora; a colecção de porcelanas da Companhia das Índias; o conjunto de faianças portuguesas de importantes fábricas: Prado, Viana, Rocha Soares, Rato; o núcleo de tapeçarias flamengas, de Pieter Paul Rubens, entre muitas outras obras.
PAF





