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Mosteiro de Santa Clara-a-Velha - detalhe
Designação
Localização
Rua das Parreiras
Santa Clara
3040 266 COIMBRA
Protecção
Procedimento prorrogado até 31 de Dezembro de 2012 pelo Decreto-Lei n.º 115/2011, DR, 1.ª série, n.º 232, de 5-12-2011 (ver Diploma)
Despacho de homologação de 30-12-2010 do Secretário de Estado da Cultura
Procedimento prorrogado até 31 de Dezembro de 2011 pelo Despacho n.º 19338/2010, DR, 2.ª série, n.º 252, de 30 de Dezembro (ver Despacho)
Despacho de abertura (ampliação) de 6-02-2008 do Director do IGESPAR, I.P.
Parecer de 6-02-2008 do Conselho Consultivo do IGESPAR, I.P.
Proposta de 14-11-2006 da DRCoimbra para ampliação da classificação
Decreto de 16-06-1910, DG n.º 136, de 23-06-1910 (classificou o "Mosteiro de Santa Clara primitivo (ruínas)") (ver Decreto)
Portaria publicada no DG, II Série, n.º 174, de 26-07-1954
Portaria publicada no DG, II Série, n.º 174, de 26-07-1954
Descrições
Fundado a 13 de Abril de 1283 (DIAS, 2003, p.145), ou em 1286, por D. Mor Dias, as primeiras obras de que há notícia referem-se à construção de um conjunto de casas para acolhimento de monjas clarissas, núcleo original certamente modesto, mas que se deveria já compor de uma pequena igreja, um dormitório e um claustro (CORTE-REAL, SANTOS e MOURÃO, 2000, p.10). A fundação do mosteiro contou com a resistência dos monges de Santa Cruz, onde D. Mor professava, que logo em 1311, falecida a fundadora, conseguiram a extinção do cenóbio.
O segundo capítulo da história do Mosteiro de Santa Clara-a-Velha de Coimbra teve início em 1314, ano em que D. Isabel de Aragão refundou a casa monástica As obras então patrocinadas conduziram ao conjunto edificado que hoje, genericamente, subsiste e devem-se, numa primeira fase, ao arquitecto Domingos Domingues, mestre que havia trabalhado no claustro do Mosteiro de Alcobaça (DIAS, 1982, p.4).
Deste primeiro período construtivo data a igreja, sagrada em 1330, quando o arquitecto responsável era já Estêvão Domingues, muito provavelmente, parente do anterior. Pouco se sabe dos trabalhos efectuados por cada um destes mestres. Paulo Pereira supõe que ao primeiro se tenha ficado a dever a cabeceira e ao segundo o corpo da igreja, incluindo a opção pelo abobadamento total (PEREIRA, 1995, vol. II, p.376).
Logo em 1331 o mosteiro foi inundado pelas águas do Mondego. Iniciava-se, assim, um dos factores que mais haveria de influenciar a história do cenóbio. A construção das diversas dependências monásticas foi executada em paralelo com as cheias sazonais do rio, o que obrigou ao sucessivo alteamento das cotas dos pavimentos. No final do século XVI a vida no mosteiro era já impraticável e décadas depois, em 1677, deu-se o definitivo abandono, com a passagem das religiosas para o novo convento de Santa Clara, num local ligeiramente mais alto da mesma margem direita do Mondego.
A campanha arqueológica actualmente em curso, iniciativa que permite hoje conhecer grande parte do antigo mosteiro gótico, iniciou-se em Fevereiro de 1995, consistindo na desobstrução das partes alagadas. Rapidamente a consciência da importância dos achados arqueológicos transformou esta intervenção numa campanha de referência no campo da Arqueologia Medieval.
Particularmente importante foi a identificação do claustro original - um dos dois referidos no século XVI -, localizado a Sul da igreja e conservado, em altura, até ao arranque do sistema de abobadamento (CORTE-REAL, SANTOS e MOURÃO, 2000, p.20). A construção desta estrutura foi, com certeza, posterior à da igreja e deverá corresponder, com grande probabilidade, ao período de direcção de Estêvão Domingues (CORTE-REAL, MACEDO, 2001, p.23). Tal como a igreja, apresenta algumas características únicas, como a planta trapezoidal irregular.
A igreja é um dos poucos templos góticos completamente abobados. Compõe-se de três naves de sete tramos, sem transepto, e capela-mor tripartida de ábside poligonal. A semelhança desta solução para com o grande projecto do Mosteiro de Alcobaça não tem passado despercebida à maioria dos autores que se dedicaram a este edifício, facto sublinhado pela formação alcobacense de Domingos Domingues. Pedro Dias sublinha o facto de existir algum tradicionalismo na forma de abobadamento, apesar de as naves se encontrarem praticamente à mesma altura (DIAS, 1994, p.87). Autores como Paulo Pereira e, mais recentemente, Mário Barroca, evidenciaram outros aspectos construtivos que relacionam estes dois monumentos, casos das colunas adossadas (BARROCA, 2002, p.53).
No Mosteiro de Santa Clara-a-Velha conserva-se a memória de D. Isabel de Aragão. Nas imediações do cenóbio existiu o Paço da rainha, de que se conservam alguns vestígios materiais. Do interior da igreja, mais concretamente do seu coro-alto - uma construção de recurso face às cheias do Mondego (CHARRÉU, 1995, p.151) - procede o túmulo gótico de D. Isabel, hoje em Santa Clara-a-Nova.
PAF





