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Igreja de São Roque - detalhe
Designação
Localização
Largo Trindade Coelho
Lisboa
0000 Lisboa
Protecção
Parecer de 10-10-2011 da SPA do CNC a propor o arquivamento
Proposta de 22-08-2006 da DRLisboa para a ZEP conjunta do astelo de São Jorge e restos das cercas de Lisboa, Baixa Pombalina e imóveis classificados na sua área envolvente
Portaria n.º 529/96, DR, I Série-B, n.º 228, de 1-10-1996 - ZEP dos edifícios classificados da Avenida da Liberdade e área envolvente (ver Portaria)
Descrições
Edificada no séc. XVI, sob risco de Terzi, com a colaboração de Afonso e Bartolomeu Álvares, é uma típica arquitectura religiosa maneirista, e constitui um verdadeiro protótipo das igrejas jesuíticas portuguesas, ou seja, de nave única com capelas laterais intercomunicantes e cobertura em tecto de madeira. Este templo, de planta longitudinal simples, de volumetria paralelipípedica e coberturas a duas águas, possui oito capelas laterais intercomunicantes, transepto inscrito e capela-mor plana e pouco profunda.
A fachada principal encontra-se totalmente revestida com placagem de cantaria, e apresenta-se organizada em dois níveis separados por friso verticalmente disposto em três panos de muro por pilastras lisas. Ao nível do piso térreo, abre-se o portal de verga recta, encimado por frontão triangular, no eixo do qual se rasga, acima do friso, um janelão rectangular de igual modo coroado por frontão do mesmo tipo. Em cada um dos panos de muro existe uma porta de verga recta encimada por motivo decorativo semicircular, bem como uma pequena janela quadrada que precede o friso, acima do qual observa-se um janelão rectangular finalizado por frontão curvo. A fachada apresenta-se lateralmente delimitada por dupla pilastra e superiormente rematada por frontão triangular vazado por óculo oval iluminante. Adossada ao muro lateral oeste encontra-se a torre.
Em relação ao seu interior, abrem-se lateralmente, no primeiro nível, quatro arcos de volta inteira (pelos quais se acede às capelas laterais), enquanto que, no segundo, se rasgam vãos iluminantes, entre os quais se encontram composições pictóricas sobre tela. Nestas, podemos admirar cenas da vida de Santo Inácio de Loyola, tradicionalmente atribuídas a Domingos da Cunha, o Cabrinha (1598 - 1644).
Precedendo a cobertura da nave em tecto plano, e executado em madeira com pintura de perspectiva - com os denominados Passos das Escrituras, da autoria de Francisco Venegas -, existe uma cornija saliente apoiada em mísulas de cantaria. A capela-mor, rectangular e coberta por abóbada de berço com marcação de caixotões, possui um retábulo de talha dourada de concepção arquitectónica e remate semi-circular, onde se podem observar, além de uma escultura setecentista em madeira estofada de Nossa Senhora da Visitação ou da Misericórdia, imagens dos santos jesuítas Inácio de Loyola, Francisco Xavier, Luís Gonzaga e Francisco de Borja.
Encontrando-se o interior essencialmente decorado com talhas, pinturas, azulejos e mármores (que constituem um importante conjunto das artes decorativas maneirista e barroca), merecerá especial referência a capela de S. João Baptista, encomendada em Itália a Vantivelli por D. João V, uma verdadeira obra prima da arte italiana e de grande importância no panorama da arte portuguesa, de um modo geral.
[AMartins]





