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Estação dos Caminhos de Ferro de São Bento, também denominada «Estação de São Bento», incluindo a gare metálica, os painéis de azulejos e a boca de entrada no túnel - detalhe

Designação

Designação
Estação dos Caminhos de Ferro de São Bento, também denominada «Estação de São Bento», incluindo a gare metálica, os painéis de azulejos e a boca de entrada no túnel
Outras Designações
-
Categoria / Tipologia
Arquitectura Civil / Estação Ferroviária
Inventário Temático
-

Localização

Divisão Administrativa
Porto / Porto / Sé
Endereço / Local

Rua da Madeira
Porto
0000

Rua do Loureiro
Porto
0000

Praça de Almeida Garret
Porto
0000

Protecção

Situação Actual
Classificado
Categoria de Protecção
Classificado como IIP - Imóvel de Interesse Público
Cronologia
Decreto n.º 67/97, DR, I Série-B, n.º 301, de 31-12-1997 (ver Decreto)
ZEP
-
Zona "non aedificandi"
-
Abrangido em ZEP ou ZP
Não
Abrangido por outra classificação
Não
Património Mundial
-

Descrições

Nota Histórico-Artistica

Ao longo da primeira metade do século XIX, o território português assistiu a uma série de profundas mutações, fortalecida pela implementação do regime liberal em 1834. Estas transformações tiveram, no entanto, graves repercussões ao nível do património edificado, incluindo a própria azulejaria, justamente por ter sido maioritariamente encomendada e utilizada por representantes do clero e da velha aristocracia.
A partir desta altura, o azulejo continuou a ser integrado na arquitectura, embora parte significativa do denominado "azulejo artístico" passasse a ser substituído pelo "azulejo industrial", mais simples e, na maioria das vezes, aplicado no acabamento de fachadas de prédios de rendimento urbano de perfil burguês, naquela que se transformaria numa das tradições mais características e peculiares da prática azulejar portuguesa.
E apesar de algumas fábricas terem encerrado as suas portas logo nos primeiros decénios de oitocentos, terá sido o regresso de emigrantes enriquecidos em terras brasileiras que possibilitou a reactivação de antigos centros produtivos. Foi o que sucedeu no Porto, com Massarelos e Miragaia. Mas este retorno abriu de igual modo caminho à fundação de outras unidades, a exemplo da fábrica do Carvalhinho e das Devesas.
O século XIX trouxe, porém, ao território português uma outra realidade. O lançamento de troços de caminhos de ferro estreitou paragens, gentes e culturas, num circuito mundial ditado pelos novos e crescentes interesses económicos.
É neste preciso contexto que se insere a "Estação dos Caminhos de Ferro de São Bento", localizada no coração da cidade, na Praça de Almeida Garrett. Erigido no século XVI para acolher o convento das freiras beneditinas de São Bento de Ave Maria, o edifício foi sujeito a três tipos de intervenção, tendo D. Carlos I (1863- 1908) lançado a primeira pedra para o actual imóvel em 1900, numa altura em que o convento se apresentava bastante degradado, razão pela qual fora entretanto demolido, depois de ter sido destruído por um incêndio em 1783 e reconstruído no início do século seguinte.
Inaugurada em 1916, após a abertura da Ponte D. Maria Pia, e optando-se pela edificação de uma gare com oito linhas terminais e cinco cais de embarque, o seu risco foi entregue ao arquitecto portuense José Marques da Silva (1869-1947). Apresentando exteriormente linhas arquitectónicas e gramática decorativa de fundo neoclássico tardio, bem como na própria monumentalidade exibida, é provável que o facto de ter cursado em Paris explicite a forte influência exercida pela denominada arquitectura da École de Beaux Arts nalgumas das soluções estéticas observadas no imóvel.
É, contudo, no átrio principal que se encontrará a sua maior força artística. Aí, os alçados encontram-se totalmente decorados com cerca de vinte mil azulejos, executados a branco e azul pelo pintor Jorge Colaço (1864-1942), formado nos meios académicos parisienses (onde foi discípulo do mestre Cormon (1854-1924)), que os rodeou de um friso multicolor, onde se historia a viação.
Uma vez mais, confirmava-se que o preenchimento das paredes não tinha de resultar, necessariamente, numa dependência total da produção fabril de motivos repetitivos. Com efeito, e prosseguindo um pouco a tradição iniciada por Luís Ferreira (1807-?), Jorge Colaço, já amplamente apreciado pela sua obra pictórica, notabilizou-se também pela composição de grandes painéis azulejares. Ficaria, porém, famoso ao imprimir nesta arte um assumido gosto historicista, algo tardo-romântico, que perpassaria quase todo o século XX, em boa parte devido à figuração preferencial de alguns dos episódios e personalidades considerados mais emblemáticos da nossa História, a par de elementos de fundo paisagístico e folclórico.
[AMartins]

Imagens

Bibliografia

Title
"Inventário Artístico de Portugal: Cidade do Porto"
Local
Lisboa
Date
1995
Autor(es)
QUARESMA, Maria Clementina de Carvalho



Title
"História da Arte em Portugal, vol. 11"
Local
Lisboa
Date
1993
Autor(es)
RIO-CARVALHO, Manuel



Title
"O Azulejo em Portugal"
Local
Lisboa
Date
1989
Autor(es)
MECO, José



Title
"Azulejaria Portuense"
Local
Lisboa
Date
2001
Autor(es)
MARTINS, Fausto S.



Title
"O Arquitecto José Marques da Silva e a Arquitectura no Norte do País na primeira metade do Séc. XX"
Local
Porto
Date
1997
Autor(es)
CARDOSO, António



Title
"Arquitectura Moderna e Obra Global a partir de 1900"
Local
Porto
Date
2009
Autor(es)
TOSTÕES, Ana



Title
"Marques da Silva"
Local
Vila do Conde
Date
2012
Autor(es)
CARDOSO, Ana Sofia



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