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Casa dos Biscaínhos - detalhe

Designação

Designação
Casa dos Biscaínhos
Outras Designações
-
Categoria / Tipologia
Arquitectura Civil / Casa
Inventário Temático
-

Localização

Divisão Administrativa
Braga / Braga / Sé
Endereço / Local

Rua dos Biscaínhos
Braga
4700 Braga

Protecção

Situação Actual
Classificado
Categoria de Protecção
Classificado como IIP - Imóvel de Interesse Público
Cronologia
Decreto n.º 35 532, DG, I Série, n.º 55, de 15-03-1946 (ver Decreto)
ZEP
-
Zona "non aedificandi"
-
Abrangido em ZEP ou ZP
Não
Abrangido por outra classificação
Não
Património Mundial
-

Descrições

Nota Histórico-Artistica

Edificada no século XVII, e ampliada na centúria seguinte, a Casa dos Biscaínhos manteve-se na posse da mesma família até 1963, ano em que foi vendida a um organismo público, que aí instalou o Museu, inaugurado a 11 de Fevereiro de 1978. A estrutura museológica tira partido das possibilidades do imóvel, permitindo, assim, a divulgação do quotidiano nobre do Norte do país, no período barroco. Expõem-se, essencialmente, artes decorativas, numa contextualização directa, "proporcionada pela organicidade original e a riqueza ornamental do Solar, criando uma sequência de Espaços sugestivos da habitabilidade de outrora: o Salão Nobre, o Gabinete-Biblioteca, as Salas do Estrado, do Oratório, de Música e de Jogo, a de Jantar, a Cavalariça, a Cozinha e os Jardins" (Museu dos Biscaínhos, RPM).
De acordo com os estudos de Luís Costa, a edificação da Casa dos Biscaínhos ocorreu entre 1619 e 1685, e era destinada a casa de habitação do Dr. Constantino Ribeiro do Lago, "sobrinho do Beato Miguel de Carvalho, jesuíta mártir no Japão, e que está retratado na pintura do tecto do Salão Nobre" (COSTA, 1998, p. 24). Constantino Ribeiro foi uma das personalidades mais ilustres de Braga, tendo contraído matrimónio em 1665, já nesta casa, com Maria da Silva e Sousa (STOOP, 2000, p. 41). As obras foram terminadas pelo seu filho, em 1699, tendo este imposto as suas armas na fachada nordeste. Seria, contudo, Francisco Pereira da Silva, Deão da Sé de Braga, o impulsionador da grande reforma do edifício, contratando, para tal, em 1712, o arquitecto pedreiro Manuel Fernandes da Silva, responsável por tantas obras de grande envergadura na cidade (ROCHA, 1996, p. 168). Remontam a este período boa parte das campanhas decorativas que ainda hoje caracterizam os interiores deste solar, ainda que outros espaços, como os do ala sudoeste, denunciem um intimismo e um gosto já neoclássico. Na verdade, este edifício reflecte as várias intervenções arquitectónicas e decorativas de que foi objecto ao longo dos tempos.
O plano concebido por Manuel Fernandes da Silva, e do qual foi executado um modelo em papelão (IDEM), interferiu nos edifícios pré-existentes, criando um solar formado por dois corpos unidos em ângulo recto, com duas entradas nobres. O portal de entrada permitia o acesso das antigas carruagens, e um dos átrios exibe escultóricas figuras de convite (lacaios, alabardeiros e guerreiros), a receber os visitantes.
As duas fachadas são abertas por um conjunto bem ritmado de janelas e portas no piso térreo e janelas de sacada no andar nobre, cujas bases formam um imponente friso. Na ala mais longa, sobrepõem-se-lhe, ainda, um conjunto de janelas de recorte em sino, que deverão corresponder a um novo piso, posterior à obra de Manuel Fernandes da Silva (IDEM, p. 171). No interior, ganha especial importância o Salão Nobre, com o tecto pintado pelo pintor portuense Manuel Furtado de Mendonça, em 1724, ilustrando o martírio do tio do instituidor do vínculo dos Biscaínhos (OLIVEIRA, 1999, p. 183), e um rodapé de azulejos de temática campestre, atribuído ao mestre PMP (SIMÕES, 1979, p. 97). Na Sala de Jantar, o gosto é já neoclássico, bem visível na preferência pela decoração em estuque, com pinturas de tons claros, ou nos azulejos de linguagem idêntica.
Os jardins do Solar, com muitos traços e elementos que recordam a linguagem de Manuel Fernandes da Silva (ROCHA, 1996, p. 171), articulam-se com a casa por meio de um eixo formado pelo portal principal, corredor e jardim, "onde um agradável chafariz serve de ponto de fuga" (IDEM). Desenvolvidos em declives, constituem uma espécie de prolongamento da casa. O primeiro é preenchido por bancos e lagos, constituindo um jardim-espectáculo, enquanto o segundo nível é, claramente, um espaço barroco, muito bem definido com os seus buxos, tanques, esculturas, canteiros de flores, e ainda pelas casas de fresco, remontando a sua construção à segunda metade do século XVIII.
(Rosário Carvalho)

Imagens

Bibliografia

Title
"Palácios e solares portuguezes (Col. Encyclopedia pela imagem)"
Local
Porto
Date
1900
Autor(es)
SEQUEIRA, Gustavo de Matos



Title
"Solares portugueses"
Local
Lisboa
Date
1988
Autor(es)
AZEVEDO, Carlos de



Title
"Azulejaria em Portugal no século XVIII"
Local
Lisboa
Date
1979
Autor(es)
SIMÕES, J. M. dos Santos



Title
"The art of Portugal 1500-1800"
Local
-
Date
-
Autor(es)
-



Title
"Palácios e casas senhoriais do Minho"
Local
-
Date
-
Autor(es)
-



Title
"Braga - percursos e memória de granito e oiro"
Local
Porto
Date
1999
Autor(es)
OLIVEIRA, Eduardo Pires de



Title
"Braga - roteiro histórico e monumental"
Local
Braga
Date
1998
Autor(es)
COSTA, Luís



Title
"Manuel Fernandes da Silva mestre e arquitecto de Braga: 1693-1751"
Local
Braga
Date
1996
Autor(es)
ROCHA, Manuel Joaquim Moreira da



Title
"Cozinhas. Espaço e Arquitectura"
Local
Lisboa
Date
2006
Autor(es)
PEREIRA, Ana Marques



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