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Sala do Capítulo, refeitório, cozinha, torre e capela do Mosteiro da Serra do Pilar - detalhe
Designação
Localização
Largo de Avis
Vila Nova de Gaia
Protecção
Nota: pelo decreto de 16-06-1910, DG n.º 136, de 23-06-1910, havia já sido classificada como Monumento Nacional a "Igreja da Serra do Pilar" (ver Decreto)
Descrições
Quando em meados do século XVI o mosteiro de São Salvador de Grijó se encontrava em ruínas, D. João III autorizou a transferência desta comunidade crúzia para a serra de São Nicolau de Vila Nova, fronteira à cidade do Porto. Em 1537 fundava-se neste local um novo mosteiro, com a invocação de São Salvador do Mundo e traça elaborada por Diogo de Castilho e João de Ruão, estando as obras a cargo de Frei Brás de Barros. Desde o início que a obra foi supervisionada directamente por D. João III, a quem os arquitectos e Frei Brás de Barros enviavam os desenhos ao rei com regularidade (GOMES, Paulo Varela,2001,p.80). No ano de 1542 estava já realizada a primeira fase construtiva, e os religiosos de Grijó ocupavam já o espaço habitável. Só alguns anos mais tarde, em 1564, os mosteiros de Grijó e da Serra do Pilar ficariam definitivamente separados, por autorização papal de Pio IV. Em 1567 terminava a primeira fase de obras do mosteiro, estando então edificados a igreja e os anexos. A partir da década de 70 as obras do mosteiro ficariam a cargo dos mestres Jerónimo Luís, sendo edificada a hospedaria de cima no ano de 1573. Em 1576 iniciava-se a construção do claustro circular, e no ano seguinte a sua abóbada estava concluída. Mas o claustro só estaria definitivamente construído nos primeiros anos da década de 80, depois de executados os portais, as capelinhas circundantes e a obra de canalização (RUÃO,Carlos,1996,pp.218-220).
Em 1597 era lançada a primeira pedra da "igreja rotunda" do mosteiro, dedicada a Santo Agostinho, que só ficaria concluída mais de meio século depois, em 1672. Mantendo o projecto arquitectónico executado por Castilho e Ruão na década de 30 (GOMES, Paulo Varela,2001,p.80), o templo apresenta no interior uma linguagem arquitectónica e decorativa muito semelhante à da igreja de São Salvador de Grijó. No final do século XVII, em 1690, o prior do convento mandou desmontar o claustro para ser deslocado 15 metros para nascente, de modo a que pudesse ser construído um retrocoro entre a capela-mor da igreja e o claustro, segundo traça da autoria de Domingos Lopes. Nessa época era também executado o retábulo-mor original, montado entre a capela-mor e o retrocoro.
O conjunto monacal apresenta planta composta por volumes da igreja, de planta circular, da capela-mor, de planta rectangular, e do claustro, também de planta circular, todos dispostos sequencialmente. O claustro possui ao centro chafariz de taça, derivado dos modelos de chafarizes quinhentistas da escola dos Lopes. A torre do templo foi edificada do lado esquerdo, e as dependências conventuais dispõem-se lateralmente, formando duas alas.
Para além da construção do retrocoro, o mosteiro foi objecto de algumas obras nas últimas décadas do século XVII, nomeadamente o parapeito e platibanda do claustro. Em 1809 o espaço do mosteiro foi ocupado pelas tropas de Wellington, quando foi planeado o ataque do exército português à cidade do Porto, então ocupada pelas tropas de Napoleão. Durante o século XX, o mosteiro foi objecto de diversas campanhas de obras de restauro e conservação. O Mosteiro da Serra do Pilar encontra-se abrangido pelo Centro Histórico do Porto, inscrito pela Unesco na Lista do Património Mundial.
Catarina Oliveira





