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Teatro Nacional de São João - detalhe
Designação
Localização
Praça da Batalha
Sé
4050 263 PORTO
Protecção
Despacho de homologação de 14-10-2010 do Secretário de Estado da Cultura
Parecer favorável de 1-10-2008 do Conselho Consultivo do IGESPAR, I.P.
Nova proposta de 12-09-2005 da DRPorto
Despacho de 22-04-1996 do Vice-Presidente do IPPAR a devolver à DRPorto para completar a instrução
Proposta de 23-11-1994 da DRPorto, para a reclassificação como MN
Decreto n.º 28/82, DR, I Série, n.º 47, de 26-02-1982 (ver Decreto)
Parecer de 1-10-2008 do Conselho Consultivo propõe o não estabelecimento de ZEP por estar integrado na Zona Histórica do Porto, conjunto classificado
Descrições
Foi a sul da referencial Praça da Batalha que se ergueu o conhecido "Teatro de S. João", no mesmo local onde avultava o teatro de ópera do mesmo nome, edificado entre 1796 e 1798, segundo projecto do arquitecto italiano e cenógrafo do Teatro de S. Carlos, Vicente Mazzoneschi, e intervenção pontual do pintor António de Domingos Sequeira (1768-1837), e que um incêndio acabaria por destruir em 1908.
Não era, porém, a primeira sala de espectáculos a funcionar nesta zona. Antes desta, existira, no sítio denominado "Corpo da Guarda" (do século XVI), outra casa de espectáculos instalada numas dependências do desaparecido palácio (também conhecido por "Palácio do Governo") dos condes de Miranda, marqueses de Arronches e duques de Lafões, senhores de vastas terras. Inaugurado em 1760 para comemorar, com ópera lírica, o casamento da futura D. Maria I (1734-1816) com seu tio paterno, o futuro rei consorte D. Pedro III (1717-1786) - na altura, ainda príncipe do Brasil -, o teatro foi riscado pelo pintor João Glama Stroberle (1708-1792).
Foi, todavia, em 1793 que o corregedor e provedor da comarca do Porto, Francisco de Almada e Mendonça (1757-1804), tentou obter parte do terreno da muralha fernandina para edificar um novo teatro na cidade, enquanto promovia a renovação urbanística da Póvoa de Varzim. Filho do governador geral da província e da cidade do Porto, João de Almada e Melo (1757-1786) - que, entre 1757 e 1786, residira, precisamente, no palácio de Miranda (vide supra) -, a quem se deve a introdução do teatro lírico no Porto no supracitado edifício do "Corpo da Guarda" (vide supra) -, atribuem-se a esta marcante personalidade portuense as consideráveis alterações e beneficiações operadas ao longo do último quartel do século XVIII na principal urbe nortenha, numa altura em que, tal como sucedia em Lisboa, o poder central tentava tirar proveito das consequências do terramoto de 1755 para introduzir uma nova disposição urbanística, num claro reflexo da mais recente política implementada pelo Marquês de Pombal (1699-1782), aliás, primo de João de Almada.
Originalmente apelidado de Real Teatro de S. João, em homenagem ao então príncipe regente e futuro D. João VI (1767-1830) - a par do nome escolhido para o Teatro de S. Carlos, em honra a sua esposa, D. Carlota Joaquina de Bourbon (1775- 1830) -, o actual teatro foi projectado pelo arquitecto José Marques da Silva (1869-1947), que, influenciado pelo restauro do Théâtre d'Amiens, introduziu linhas arquitectónicas e uma gramática decorativa bastante aproximadas às de outras obras da sua autoria, como a "Estação de S. Bento", embora S. João apresente, exteriormente, uma coloração muito própria, semelhante à granítica.
Inaugurado dois anos depois de ter sido terminado, em 1920, terão sido os padrões italianos e franceses a inspirar fortemente a decoração da sala de espectáculos (disposta em forma de ferradura) e dos avant-foyer e foyer, da autoria dos escultores Henrique Araújo Moreira (1890-?) - bastante representado na estatuária pública do Porto -, Diogo de Macedo (1889-?) - que foi também musicólogo e escritor, crítico de arte e director do Museu Nacional de Arte Contemporânea - e José Fernandes de Sousa Caldas (1900-?), aos últimos dos quais competiria também modelar as quatro figuras presentes no friso do entablamento do alçado principal, alusivas à Bondade, Dor, Ódio e Amor, enquanto o consagrado artista José de Brito (1855-1946), e Acácio Lino de Magalhães (1878-1956), pintaram o tecto da sala de espectáculos. Quanto aos elementos localizados nas fachadas laterais, tais como máscaras, festões e frutos, foram executados pelo escultor Joaquim Gonçalves da Silva.
A partir da década de trinta, o edifício serviu, quase em exclusivo, para exibições cinematográficas, sendo reabilitado em 1995 pelo IPPAR, com projecto assinado pelo arquitecto João Carreira.
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