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Fortaleza de Faro, incluindo todo o conjunto de elementos ainda existentes das muralhas - detalhe
Designação
(confrontações: a nascente, o Largo de São Francisco e a Rua José Maria Brandeiro; a sul, a linha dos caminhos de ferro; a poente, a Rua do Comandante Francisco Manuel; e a norte, o Largo Dr. Francisco Gomes e a Ruado Albergue)
Localização
Protecção
Parecer de 23-05-2008 do Conselho Consultivo do IGESPAR, I.P.
Proposta de 5-12-2007 da DRCAlgarve para ZEP conjunta ao Núcleo Histórico de Faro, abrangendo este imóvel
Descrições
A muralha que delimita a medieva Vila-Adentro, têm um perímetro ovalado de 1083m e envolve uma área de 73014 m². Apresenta, adossadas, torres quadrangulares e semicirculares. Estas últimas facetadas pelo seu lado exterior, na forma heptagonal, localizam-se no tramo leste e apontam para uma cronologia visigótica-bizantina. As portas de acesso estão conectadas com o antigo traçado romano do cardus (actual Rua do Município/rua do Castelo) e do decumanus (actual Rua do Repouso).
Possivelmente sobre uma pré-existência romana ou visigótica, na segunda metade do século IX, o governador islâmico Yahya ibn Bakr reforçou as muralhas e proveu com portas de ferro a cidade de Ossónoba ou Santa Maria do Ocidente (Faro).
Do lado direito, de quem entra no Arco da Vila, localiza-se um vão atribuído ao período emiral-califal, corresponde a uma das portas da cidade islâmica, possivelmente em cotovelo. É o único arco quebrado in situ de todo o Algarve. Construído com pequenos silhares, apresenta uma sequência de aduelas alternadas que lhe conferem uma marcada identidade clássica. Uma sua representação iconográfica, datada do séc. XIII, figura em iluminuras que decoram o livro "As Cantigas de Santa Maria " de Afonso X, rei de Leão e Castela. No século XII (período almóada) foram construídas duas torres albarrãs, junto da actual Porta do Repouso.
A alcáçova (castelo), situava-se no canto sudoeste do espaço amuralhado e apresentava, em todo o seu perímetro, muralhas com torreões. O acesso ao seu interior fazia-se por duas portas, uma delas a do Socorro, directa ao mar, permitia que uma embarcação saísse em busca de auxílio, enquanto a outra se abria, directamente, para a malha urbana da cidade. A alcáçova, à semelhança de muitas outras, no período pós-reconquista cristã, foi adaptada a castelo cristão, sem que se registassem grandes modificações estruturais.
No século XVIII, a área do castelo medieval é ocupada pelo Quartel do Regimento de Artilharia do Reino do Algarve. Desmilitarizado o espaço é, nos fins do século XIX (1897), arrendado a uma firma portuense que o converteu em fábrica de álcool. Acabou por ser totalmente descaracterizada, quando, em 1923, no interior da sua área, foi cortado um novo arruamento que rompeu a muralhas, e construída uma unidade fabril para produção de cerveja (1935/40) que nunca laborou.
Após o saque e incêndio de Faro pelas tropas inglesas do Conde de Essex (1596) as muralhas urbanas beneficiaram de obras de restauro que se prolongaram por décadas. No reinado de D. Sebastião, a poente, adossado à muralha do castelo é construído um revelim. Em 1630, é aberta na cortina a designada "Porta Nova" para acesso directo aos navios ancorados na ria.
No século XVII, com o generalização da artilharia, a estrutura amuralhada sofre adaptações às novas tecnologias militares e torna-se necessário o derrube de ameias e algumas torres, ficando tudo igualado pela altura da cortina, para assegurar a máxima funcionalidade das bocas de fogo. São dessa época as plantas de Alexandre Massay (engenheiro militar italiano ao serviço de Filipe II).As necessidades militares recorrentes da guerra da restauração reforçaram essa evolução com uma campanha de obras que decorre de 1640 a 1644.
No finais do século XVIII, o conjunto do castelo e muralhas vai perdendo importância militar já que se tornara um alvo fácil da artilharia instalada em Santo António do Alto. No século XIX, parte da cortina foi progressivamente integrada em edifícios oitocentistas, ocupados por particulares como residências, oficinas ou armazéns.
Apesar dos sucessivos restauros e adaptações, subsistiram suficientes elementos de interesse que beneficiaram de uma oportuna política camarária de valorização patrimonial. Assim, na actualidade, o percurso da muralha está bem demarcado do conjunto da actual cidade e a Fábrica de Cerveja Portugália prepara-se para ser convertida em Museu.
Natércia Magalhães/DRF/2002





