Laboratórios de Arqueociências

Integrando actualmente a DGPC, os Laboratórios de Arqueociências são uma das heranças do Programa CIPA (Centro de Investigação em Paleoecologia Humana e Arqueociências), estrutura criada no âmbito do extinto Instituto Português de Arqueologia com o propósito de desenvolver programas de pesquisa pluridisciplinares sobre a evolução da paisagem portuguesa e dos antigos territórios humanos, sobre a história natural do homem e dos recursos por ele explorados, e sobre a natureza dos diferentes sistemas de adaptação documentados pela investigação arqueológica. Pretendia-se, com a criação deste Centro, dotar o País de uma estrutura de investigação que contemplasse domínios de especialidade carentes ou inexistentes em Portugal, nomeadamente no domínio das ciências naturais aplicadas à Arqueologia, e que assegurasse, através da prestação de serviços, apoio à comunidade arqueológica nacional.

Para além do recrutamento, por concurso internacional, de bolseiros post-doc nas especialidades da Arqueozoologia e da Geoarqueologia, foram numa primeira fase transferidos para o IPA/CIPA a equipa, projectos e equipamentos técnicos, laboratoriais e documentais do núcleo de Paleobotânica a funcionar informalmente no Museu, Laboratório e Jardim Botânico da Universidade Clássica de Lisboa. Juntaram-se, mais tarde, dois outros núcleos: Paleotecnologia Lítica e Bioantropologia. O Centro foi dotado de instalações, orçamento, diversos apetrechos técnico-científicos, infra-estruturas documentais e foram enriquecidas ou criadas colecções de referência actuais. A par com a produção de conhecimentos nas diversas áreas de especialidade, realizada no quadro de problemáticas específicas ou em torno de projectos-piloto (Vale do Côa e Vale do Lapedo, por exemplo), a equipa do CIPA desenvolveu ainda projectos experimentais, organizou acções de formação e de divulgação, participou na concepção e execução de programas e espaços museológicos, tomou a seu cargo iniciativas de índole científica e didáctica.  

Actualmente, do corpo de disciplinas e de linhas de investigação em Arqueociências promovidas pelo IPA/CIPA apenas se encontram em funcionamento quatro laboratórios – Arqueozoologia, Paleobotânica, Paleotecnologia Lítica e Bioantropologia – e um núcleo de Fotografia Científica. Cada um destes laboratórios conta ainda com a colaboração de investigadores externos, que aqui desenvolvem projectos de investigação no domínio das Arqueociências, funcionando igualmente, perante a Fundação para a Ciência e a Tecnologia, como Centros de Acolhimento para Bolseiros de Doutoramento e de Mestrado.

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Concurso Arqueociências 

Abertura de candidaturas e apresentação de propostas de 6 de maio a 14 de junho de 2013

A Direção-Geral do Património Cultural (DGPC), através da participação direta do seu Laboratório de Arqueociências, dá continuidade, em 2013, ao programa de cooperação científica com a Comunidade Arqueológica Nacional. Neste sentido, os responsáveis por i) Projetos de Investigação submetidos e aprovados no âmbito do Plano Nacional de Trabalhos Arqueológicos (PNTA); ii) Projetos de Investigação Plurianual de Arqueologia (PIPA); iii) Projetos previamente aprovados por entidades com competência, atribuições e atividade reconhecida na área da investigação científica; e iv) Projetos de formação académica avançada poderão apresentar candidaturas ao Laboratório de Arqueociências para a realização de estudos específicos nas seguintes áreas disciplinares: 

A. Arqueozoologia (de mamíferos, peixes, aves, anfíbios e répteis); 

B. Paleobotânica (análise polínica, de esporos e de outros microfósseis de origem vegetal; Carpologia); 

O concurso decorrerá por um período de 30 dias úteis, entre 6 de maio e 14 de junho de 2013. As candidaturas serão objeto de uma avaliação rigorosa de modo a estabelecer uma hierarquia e fundamentar a respetiva seleção para estudo. A análise das propostas submetidas será realizada no decurso dos primeiros 15 dias úteis após o termo do concurso, sendo os resultados comunicados aos respetivos investigadores responsáveis. 

Na proposta de Candidatura deverão constar os seguintes elementos 

1. Formulário Concurso Arqueociências, devidamente preenchido, datado e assinado;
2. Localização geográfica da área (ou sítio) objeto de investigação: em coordenadas geográficas UTM ou Gauss, indicando o respetivo Datum, e a sua implantação em imagem extraída do Google Earth;
3. Documentação já produzida no âmbito do Projeto (relatórios, publicações);
4. Descrição do(s) sítio(s), considerando os seguintes itens:
    4.1. Tipologia da intervenção e tipologia do sítio, segundo os descritores considerados nas Listas de Termos da Base de Dados de Arqueologia – Endovélico http://www.igespar.pt/pt/patrimonio/pesquisa/geral/patrimonioarqueologico-portaldoarqueologo/
    4.2. Arquitetura estratigráfica, contexto sedimentar, cronologia da(s) ocupação(s) (absoluta ou relativa), estruturas, etc. Solicita-se a anexação de documentação gráfica (perfis e plantas, desenhos, etc., sempre que justificado);
    4.3. Avaliação da integridade do contexto arqueológico e das amostras que serão objeto de análise e de estudo no LARC;
    4.4. Métodos de recuperação da informação (mencionando a dimensão da malha utilizada na crivagem de sedimentos ou especificando outros meios utilizados);
    4.5. Quantificação aproximada (N e/ou volume) e estado de conservação dos conjuntos arqueobiológicos (botânicos e zoológicos) que serão objeto de estudo no LARC;
    4.6. Objetivos e relevância científica da candidatura. 

Requisitos 

Os conjuntos/amostras para estudo deverão estar devidamente etiquetados (com referência ao contexto arqueológico, espacial e estratigráfico de onde foram exumados), inventariados* e acondicionados antes de darem entrada no LARC.

A equipa do LARC estará disponível para prestar todos os esclarecimentos aos eventuais interessados antes da formulação da respetiva candidatura. 

As candidaturas poderão ser submetidas por via eletrónica (arqueociencias@dgpc.pt), enviadas por correio (contando para o efeito a data do respetivo envio) ou entregues, em mão, na DGPC, Laboratório de Arqueociências, na Rua da Bica do Marquês, nº 2, 1300-087 Lisboa (contactos: 213 625 369; 213 627 356; 213 626 328). 

* Entende-se aqui por inventário a entrega de uma Base de Dados em formato digital (tipo folha Excel ou equivalente) com a descrição sumária de cada conjunto / amostra / ecofacto que será objeto de estudo (de modo a ser possível estabelecer uma correlação, em caso de dúvidas, com as informações contidas nas etiquetas que acompanham os materiais).