O programa de valorização das Pontes Históricas do Alentejo, apoiado pelo Programa Operacional da Cultura, cobre uma parte muito significativa deste tipo de imóveis situados nesta região de Portugal, e que são muitas vezes identificados localmente como pontes romanas, velhas ou antigas.
Teve como objectivo inicial executar um conjunto de intervenções de recuperação destes imóveis, procurando sensibilizar o público para a importância dos eixos viários antigos numa das suas componentes mais visíveis e duradouras, pelo que foram seleccionadas vinte estruturas com características tipológicas e cronológicas muito diversas, sendo relevante o facto da integração paisagística destes imóveis gerar uma rica interacção patrimonial e ambiental.
As acções de salvaguarda e valorização efectuadas, como trabalhos de limpeza, conservação e restauro, registo topográfico e fotográfico, instalação de sinalética interpretativa e edição de guia/roteiro, permitem não só a fruição pública destes imóveis como também apoiar o desenvolvimento local e regional, criando-se percursos de visita temáticos envolvendo directamente as pontes ou integrando-as em circuitos pedestres ou de cicloturismo.
Pontes Históricas do Alentejo - Um Itinerário Cultural

Ruínas da Ponte Antiga do Xarrama, Évora

Escavações arqueológicas na Ponte Antiga do Xarrama, Évora: calçada e abatimento do tabuleiro no lado Norte

Trabalhos arqueológicos a extremidade Sul da Ponte de Miróbriga, Santiago do Cacém

Obras de conservação e restauro na Ponte de Mértola / Torre do Rio

Colocação de sinalética na Ponte de Vila Formosa, Alter do Chão
As acções de salvaguarda e valorização efectuadas, como trabalhos de limpeza, conservação e restauro, registo topográfico e fotográfico, instalação de sinalética interpretativa e edição de guia/roteiro, permitem não só a fruição pública destes imóveis como também apoiar o desenvolvimento local e regional, criando-se percursos de visita temáticos envolvendo directamente as pontes ou integrando-as em circuitos pedestres ou de cicloturismo.

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01 - Ponte Medieval sobre a Ribeira de Figueiró
02 - Ponte Velha do Prado
03 - Ponte do Chocanal
04 - Ponte Romana de Vila Formosa
05 - Ponte de N. S.ra da Enxara, sobre o Rio Xévora
06 - Ponte Romana de Monforte
07 - Ponte Velha de Terena sobre a Ribeira de Lucefecit
08 - Ponte Antiga da Estrada de Pavia sobre a Ribeira do Divôr
09 - Ponte da Varge sobre a Ribeira de S. Matias
10 - Ruínas da Ponte Antiga do Xarrama
11 - Ponte Antiga de Guadalupe sobre a Ribeira de Valverde
12 - Ponte do Lagar da Boa Fé sobre a Ribeira de S. Brissos
13 - Ponte de S. Brás do Regedor sobre a Ribeira de Peramanca
14 - Ponte de Vila Ruiva
15 - Ponte sobre o Rio Brenhas
16 - Ponte sobre a Ribeira do Enxoé
17 - Ponte Romana de Miróbriga
18 - Ponte de Mértola / Torre do Rio
19 - Ponte Antiga sobre a Ribeira de Cobres
20 - Ponte de Santa-Clara-a-Velha


Também conhecida por Ponte de Vila Flor, situa-se na freguesia do Espírito Santo / Amieira do Tejo, concelho de Nisa, distrito de Portalegre e encontra-se num caminho rural a cerca de 2,5 quilómetros da Amieira do Tejo, sendo também possível o seu acesso pelo IP2, junto à Barragem do Fratel - classificada como Imóvel de Interesse Público, Dec. n.º 44.075, DG n.º 281 de 5 de Dezembro de 1961.
Possui alguma monumentalidade, sendo constituída por três arcos e tabuleiro horizontal. Notável é a sua implantação numa zona de paisagem agreste, com característica vegetação mediterrânica, destacando-se a articulação da construção com o maciço rochoso em que assentam os pegões.


Situa-se sobre a Ribeira da Seda, no concelho de Crato, distrito de Portalegre, e encontra-se em vias de classificação como Imóvel de Interesse Público. Ponte estreita, para uso pedestre.
Estrutura algo rudimentar, poderá remontar ao período medieval; erigida em alvenaria de pedra miúda, os pegões, assentes em pequenos afloramentos graníticos, são no entanto construídos em aparelho de granito mais regular, indiciando distintas fases de construção.


Situa-se sobre a Ribeira da Chocanal, junto à Vila de Crato, distrito de Portalegre e encontra-se em vias de classificação como Imóvel de Interesse Público.
É constituída por três vãos e dois talha-mares, com arcos de volta inteira, que, embora parcialmente obstruídos pelo assoreamento do leito da ribeira, mantêm a dignidade e equilíbrio desta estrutura, perfeitamente enquadrada na paisagem envolvente.
Vulgarmente designada como “ponte Romana”, esta sólida construção em alvenaria de granito data provavelmente do período medieval, embora as aduelas dos arcos, ligeiramente almofadadas, possam indiciar uma eventual origem romana ou uma reutilização de materiais anteriores.


Permite ainda hoje a travessia do rio Seda pela EN 245, na fronteira dos municípios de Alter do Chão e do Crato, distrito de Portalegre, e encontra-se classificada como Monumento Nacional, Decreto de 16-6-1910.
Os seus pegões rectangulares, decorados com uma moldura de sabor clássico, suportam seis arcos, de abertura idêntica, onde assenta um tabuleiro de perfil horizontal com mais de cem metros de comprimento.
Esta ponte romana ainda hoje é fundamental na circulação viária regional.


Situa-se sobre o rio Xévora, junto a Ouguela e ao Santuário de Nossa Senhora da Enxara, freguesia de S. João Baptista, concelho de Campo Maior, distrito de Portalegre e encontra-se em vias de classificação como Imóvel de Interesse Público.
Ponte de cronologia ainda incerta, bastante arruinada, de que resta intacto apenas um arco de volta perfeita, situar-se-ia no itinerário da via romana que se encaminharia da capital provincial, Emerita Augusta, para Olisipo. Os vestígios conservados permitem antever uma construção de grande volumetria e extensão, vencendo o largo leito do rio actualmente desviado.


Faz a travessia da Ribeira de Monforte, junto ao rossio actualmente cortado pelo IP 2, concelho de Monforte, distrito de Portalegre e encontra-se classificada como Imóvel de Interesse Público - Decreto n.º 29/90 de 17-7.
Ponte com sete arcos, de altura e abertura desigual, que vão diminuindo do central para as margens, que suportam o tabuleiro de perfil em cavalete, protegido por guardas.
Geralmente classificada edificação romana, subsistem dúvidas dada a irregularidade que a construção actualmente apresenta.


Esta ponte situa-se junto à Estrada Nacional a cerca de 1.500 metros da Vila de Terena e fazia a travessia da ribeira de Lucefecit, caminho público que, de Alandroal, corria para a fronteira com Espanha, tendo sido desafectada do uso rodoviário com a construção da variante da E.N. 255. Encontra-se em vias de classificação.
Composta por seis arcos de volta perfeita com aduelas de cantaria de granito. Apresenta talha-mares elevados acima do fecho dos arcos, assumindo função de contrafortes, a montante e jusante. A alvenaria seria rebocada, com excepção do rebordo lateral e do intradorso dos arcos, apontando-se para ser de meados do século XVI a sua construção.


Localiza-se no concelho de Arraiolos, ficando-lhe a 7 km, ao quilómetro 56,5, da E.N. 370 (Arraiolos-Pavia), onde esta vence a Ribeira do Divôr, entre os cruzamentos de Santana do Campo e Aldeia da Serra. Foi desafectada ao tráfego mantendo o acesso a herdades vizinhas devido à construção de uma nova ponte situada a jusante. Encontra-se em vias de classificação.
Constituída por quatro arcos redondos, irregulares e de cantaria rude, possui igual número de estreitas aberturas rectangulares no começo de ambos os lados do tabuleiro, que tem cerca de 80m de extensão, para permitir o escoamento de cheias maiores. Foi-lhe atribuída cronologia quinhentista.


Situa-se numa herdade, junto a um viaduto da auto-estrada A6, próximo do lugar de São Matias, freguesia de N. Sr.ª de Guadalupe, concelho de Évora, (acesso a partir da EN 114 Évora- Montemor-o-Novo) e encontra-se em vias de classificação.
Pequena ponte, é constituída por apenas um arco de volta perfeita, em cantaria de granito, sem pegões e talha-mares no leito da ribeira. O tabuleiro, com 16 m de comprimento, é protegido por guardas, apresentando um perfil em cavalete.
Do ponto de vista construtivo, esta travessia remete para cronologias anteriores, mas as memórias paroquiais de 1758 não identificam aí nenhuma ponte.


Encontra-se a cerca de 3.500m da cidade de Évora na Herdade da Chaminé onde atravessa o rio Xarrama (junto da actual ETAR) – encontra-se em vias de classificação.
Ponte arruinada, de que se conservam três arcos de volta perfeita e um descarregador de secção rectangular. Utiliza como matéria-prima o granito, com trabalho de cantaria nas aduelas e nos paramentos. Apresenta tabuleiro horizontal, protegido por guardas, onde se abrem duas goteiras, a jusante, para escoar a água da chuva, sendo considerada por alguns autores como romana.


A Ponte Antiga de Guadalupe, sobre a Ribeira de Valverde situa-se próximo do lugar do Monte das Pedras, freguesia de N. Sr.ª de Guadalupe, concelho de Évora (acesso a partir da Estrada Municipal Guadalupe- Valverde) – encontra-se em vias de classificação.
Ponte com dois arcos de volta perfeita e um descarregador de secção rectangular na margem direita, possui tabuleiro horizontal e conserva vestígios de uma calçada.
De cronologia incerta, apontando-se a sua construção para o período Moderno.


Situa-se junto ao lagar antigo da Boa Fé, freguesia de N.ª Sr.ª da Boa Fé, concelho de Évora (acesso a partir da Igreja de N.ª Sr.ª da Boa Fé, Estrada Nacional, Évora- Escoural) – encontra-se em vias de classificação.
Estrutura relacionada com um antigo lagar, sendo que na margem esquerda arranca a partir de um muro que suporta também uma das edificações da unidade de transformação. Tem três arcos de volta perfeita de abertura desigual, cujas bases são protegidas por 2 talha-mares. Conserva-se um grande troço de calçada em seixos rolados, no acesso a partir da margem esquerda. De cronologia incerta, apontando-se para o período Moderno.


Também designada como Ponte dos Ruivos, situa-se a cerca de 3 km de São Brás de Regedor, no concelho de Évora, na foz com a ribeira de Valverde aqui já denominada de Peramanca, dentro da Herdade dos Ruivos, alcançando-se pela EN 380 (troço Alcáçovas - Évora) – encontra-se em vias de classificação.
Construção com certa monumentalidade composta por dois arcos de volta perfeita que se apoiam num imponente talhamar. O tabuleiro, plano, conserva troços da calçada original, sendo protegido por guardas altas. Estrutura eventualmente de finais de Quatrocentos.


Este imóvel, também conhecido como Ponte Romana da Ribeira de Odivelas, encontra-se ainda em uso rodoviário e situa-se, tomando-se a EN 258.1, entre Cuba e Vila Ruiva, a cerca de 1,5 km desta última localidade, junto do Monte Novo da Ponte, já na estrada que dá acesso à localidade de Albergaria dos Fusos e que faz ligação a Alvito (EM 1004-1). – M.N.; Decreto N.º 47984 de 6-19-1967.
Composta por 36 aberturas, entre 20 arcos de várias tipologias e 16 olhais de descarga de superfície, a maioria em forma de arco redondo, onde se estende um tabuleiro ao longo de 116 m, com uma largura entre 4,90 e 5.60 m, protegido por guardas que se desenvolvem logo acima dos olhais. Regulariza a passagem sobre todo o extenso vale, numa clara adaptação ao regime torrencial.
Será de origem romana mas terá sofrido várias reconstruções e alterações ao longo dos séculos.


Situa-se junto à saída Norte de Moura – I.I.P., Decreto N.º 33.587 de 27 de Março de 1944.
Pequena ponte, apelidada de romana, com tabuleiro horizontal apoiado num só arco de volta perfeita com cerca de 6 metros de abertura, construída em xisto e granito, material utilizado nas aduelas.
Os seus aspectos formais indiciam tratar-se de obra romana, embora a sua pequena escala dificulte a sua classificação peremptória. No entanto aponta-se que terá sido construída após a Restauração.


Situando-se entre Moura e Serpa, a cerca de 8 quilómetros desta última cidade e a cerca de 20m do lado esquerdo da E.N. 256 – encontra-se em vias de classificação.
Composta por seis arcos, com as arquivoltas em tijolo, os seus pilares encontram-se protegidos por três pequenos talha-mares triangulares e está inteiramente rebocada. O tabuleiro, com aproximadamente 60m de comprimento, apresenta um perfil em cavalete pouco pronunciado, protegido por guardas em alvenaria e o pavimento em lajeado de pedra.
De cronologia incerta, possui características construtivas mistas, medievais e modernas, que requerem uma análise aprofundada.


Encontra-se na cidade romana situada na Herdade dos Chãos Salgados em Santiago do Cacém, distrito de Setúbal – I.I.P., Decreto Nº 30762 de 26-9-1940; Decreto Nº 32973 de 18-8-1943, Z.E.P., Portaria Nº 1135/91, D.R., 1ª Série, Nº 254 de 5-11.
Integrada nas ruínas da cidade romana, junto ao edifício termal, possui um só arco ligeiramente abatido e abobadado, como parece acontecer na maioria das pontes de origem romana conhecidas em Portugal.
Encontra-se pavimentada com grandes lajes de calcário, semelhantes às que formam as calçadas da urbe, demonstrando assim a sua articulação com os eixos viários, quer de acesso, quer de circulação interna.



Situa-se na margem direita do rio Guadiana junto às muralhas da Vila de Mértola, na Porta da Ribeira. Monumento Nacional, Decreto de 16/6/1910. Abrangida pela Z.E.P., D.G.,2ª Série, N.º 37 de 13/2/1970.
As ruínas são constituídas por seis pegões implantados ao longo de uma linha curva, sendo que o último se encontra já no leito do rio. São visíveis os arranques dos arcos que os uniam. As bases dos pegões usam matéria-prima local, xisto, e aplicam, reutilizando, mármores de edifícios romanos e eventualmente pedras provenientes do lastro de navios.
Recentemente tem sido interpretado como estrutura defensiva, protegendo a atracagem das embarcações, funcionando também como couraça, permitindo o acesso ao rio para abastecimento de água.
É difícil atribuir-lhe uma cronologia, mas pode-se dizer que certamente será posterior ao século II da nossa era, podendo já ter sido edificada na Antiguidade Tardia.


Situa-se no interior da Vila de Almodôvar, junto ao Quartel dos Bombeiros Voluntários. I.I.P., Decreto Nº 28/82 de 26-2.
Esta imponente construção é suportada por três arcos de abertura igual. Os pegões, localizados no leito da ribeira, são reforçados por dois talha-mares. O tabuleiro, em cavalete, desenvolve-se em três planos com duas rampas de acesso unidas por patamar, protegido por guardas, existindo junto um poço que remonta ao período medieval, podendo mesmo ser-lhe anterior.
Vulgarmente designada de romana, deverá antes remontar ao período medieval.


A Ponte de D. Maria sobre o rio Mira, situa-se junto ao cemitério da localidade Santa-Clara-a-Velha, concelho de Odemira – Imóvel de Interesse Municipal.
Ponte arruinada, de que se conservam dois arcos de volta perfeita, de arquivoltas em cantaria. Os pilares e os talha-mares apresentam uma extrema regularidade geométrica, contrastando com o restante aparelho em alvenaria. Curiosa é a cobertura em tijolo dos talha-mares, aspecto mais decorativo que funcional.
Terá sido construída depois de 1758.
Existe um elevado número de imóveis desta tipologia na região, muitos dos quais, por terem perdido a sua utilidade e os antigos caminhos caírem desuso ou mesmo desaparecido, se encontram muitas vezes escondidos junto às actuais estradas ou perdidos no interior das herdades.

Ponte da Portagem, Marvão

Ponte sobre o rio Sever
Apesar serem muitas as pontes que assim ficaram fora de este Programa podemos, dentro das já inventariadas e classificadas ou em vias de classificação, salientar estas, a visitar, como a Ponte sobre a ribeira da Comenda, em Gavião (Imóvel de Interesse Público), as Pontes da Portagem (classificação em estudo) e sobre o Rio Sever, ambas em Marvão, a Ponte de Nossa Senhora da Ajuda, em Elvas (Imóvel de Interesse Público), que fazia a ligação a Olivença, e a Ponte Medieval sobre a Ribeira de Campilhas (Imóvel de Interesse Municipal), em Alvalade do Sado, Santiago do Cacém.

Ponte de Nossa Senhora da Ajuda, Elvas

Ponte Medieval sobre a Ribeira de Campilhas
Para a obtenção de mais ou outras informações sobre estes e outros imóveis classificados sugere-se também a consulta na respectiva página do IGESPAR de Pesquisa de Património.
Concepção e textos de João António F. Marques
Fotografias
Manuel Ribeiro
João Marques
João Ochôa Pires
Hugo Porto
Eduardo Porfírio
Joaquim Garcia
António Martinez Rubio
Susana Correia
Cláudia Giões
Agradecimentos
Margarida Donas Botto
Cláudia Giões
António Lopes da Cunha
Álvaro Marques
Marco Liberato
João Ochôa Pires
Hugo Teles Porto
Paulo Almeida Fernandes
Contactos para mais informações
Direcção Regional de Cultura do Alentejo
Tel +351 266 769 450
Fax +351 266 769 451
E-mail: info@cultura-alentejo.pt
Sítio: http://www.cultura-alentejo.pt





