Pesquisa de Património
<i>Villa</i> romana de Freiria - detalhe
Designação
Localização
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Casal de Freiria
2750 Cascais
Protecção
Descrições
Foi o arqueólogo Vergílio Correia Pinto da Fonseca (1888-1944) quem reportou primeiramente a existência de vestígios de ocupação romana nesta zona do concelho de Cascais, depois de ter encontrado uma sepultura junto a uma pedreira. Houve, contudo, que esperar pelo ano de 1973 para que a uilla construída no século II d. C. fosse estudada sistematicamente pelos arqueólogos Guilherme Cardoso e José d'Encarnação, permitindo, entre outros aspectos, confirmar uma permanência humana no local desde o Calcolítico, atestada, por exemplo, em fragmentos de cerâmica campaniforme e nalguns elementos da Idade do Bronze.
Os anos oitenta trouxeram a descoberta da domus e do celeiro, este último localizado a sudeste (e ao qual estaria associada a parte inferior de um moinho), e cujos paralelos monumentais, em termos ibéricos, parece ser apenas possível reencontrar na villa de Monroy, nas proximidades de Cárceres. Foi ainda encontrado um lajeado a circundá-lo, bem como uma vasta camada de telhas, eventualmente pertencente a uma passagem coberta que estabeleceria a ligação entre a villa fructuaria, composta do celeiro e do lagar, e a área residencial, constituída pela domus e pelo complexo termal. O resultado assim obtido interessou as entidades oficiais mais directamente envolvidas na prossecução dos trabalhos, cujo apoio financeiro e logístico permitiram concentrar a investigação na área da villa fructuaria. Escavou-se, então, um lagar para obtenção de azeite, como parece testemunhar um peso de sarilho semelhante aos usados nestas estruturas. E foi inserido nesta construção agrícola que se detectou um forno de cozer pão, depois de ter sido destituído da sua função inicial, após o século IV. De par com a pars urbana, a pars rustica seria abastecida de água proveniente de um "tanque-represa" com base revestida a opus signinum erguido junto à ribeira que corre nas proximidades.
A investigação conduzida nas termas permitiu identificar o hipocausto e dois tanques revestidos a opus signinum, ao mesmo tempo que se determinava a ligação entre o domus e o frigidarium. Quanto à domus, propriamente dita, ela revelou uma estrutura bastante delicada, com átrio, peristilo e impluvium circundado de "espelhos de água", assim como determinados pavimentos (incluindo o de um provável triclinium) cobertos de mosaicos policromos de motivos geométricos e paredes decoradas com estuques pintados. Mas, tal como sucede noutros exemplares desta tipologia arquitectónica, a sua estrutura inicial foi alvo de algumas remodelações pontuais, fruto do decorrer dos tempos e das novas necessidades quotidianas que se impunham. Pela análise dos fragmentos cerâmicos recolhidos até ao momento, foi possível identificar duas dessas fases construtivas, ocorridas entre os séculos I e VI d. C.
Relativamente ao espólio associado, encontraram-se vários componentes decorativos, dentre os quais uma carranca com forma canídea e um quadrante solar, para além de um conjunto de fragmentos de cerâmica comum e de terra sigillata, de agulhas, alfinetes de osso, sovelas de ferro, de um molde de cerâmica e de dois "tesouros" de moedas de diferentes cunhagens. Finalmente, foi encontrada uma ara consagrada à divindade indígena Triborunnis por um dos primeiros proprietários da uilla, T(itus) Curiatius Rufinus.
O valor intrínseco deste arqueosítio foi entretanto revestido de maior grandeza com a descoberta de uma necrópole na margem oposta, constituída pelo ustrinum (local de cremação dos corpos) e por mais de duas dezenas de enterramentos com urnas de incineração de inumação, estas últimas sem qualquer espólio, sendo, no entanto, de destacar a presença de uma lucerna decorada com a figura da deusa Diana numa das sepulturas de cremação.
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