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Pesquisa de Património

<i>Villa</i> romana de Freiria - detalhe

Designação

Designação
Villa romana de Freiria
Outras Designações
-
Categoria / Tipologia
Arqueologia / Villa
Inventário Temático
-

Localização

Divisão Administrativa
Lisboa / Cascais / São Domingos de Rana
Endereço / Local

-- -
Casal de Freiria
2750 Cascais

Protecção

Situação Actual
Classificado
Categoria de Protecção
Classificado como IIP - Imóvel de Interesse Público
Cronologia
Decreto n.º 29/90, DR, I Série, n.º 163, de 17-07-1990 (ver Decreto)
ZEP
-
Zona "non aedificandi"
-
Abrangido em ZEP ou ZP
Não
Abrangido por outra classificação
Não
Património Mundial
-

Descrições

Nota Histórico-Artistica

Foi o arqueólogo Vergílio Correia Pinto da Fonseca (1888-1944) quem reportou primeiramente a existência de vestígios de ocupação romana nesta zona do concelho de Cascais, depois de ter encontrado uma sepultura junto a uma pedreira. Houve, contudo, que esperar pelo ano de 1973 para que a uilla construída no século II d. C. fosse estudada sistematicamente pelos arqueólogos Guilherme Cardoso e José d'Encarnação, permitindo, entre outros aspectos, confirmar uma permanência humana no local desde o Calcolítico, atestada, por exemplo, em fragmentos de cerâmica campaniforme e nalguns elementos da Idade do Bronze.
Os anos oitenta trouxeram a descoberta da domus e do celeiro, este último localizado a sudeste (e ao qual estaria associada a parte inferior de um moinho), e cujos paralelos monumentais, em termos ibéricos, parece ser apenas possível reencontrar na villa de Monroy, nas proximidades de Cárceres. Foi ainda encontrado um lajeado a circundá-lo, bem como uma vasta camada de telhas, eventualmente pertencente a uma passagem coberta que estabeleceria a ligação entre a villa fructuaria, composta do celeiro e do lagar, e a área residencial, constituída pela domus e pelo complexo termal. O resultado assim obtido interessou as entidades oficiais mais directamente envolvidas na prossecução dos trabalhos, cujo apoio financeiro e logístico permitiram concentrar a investigação na área da villa fructuaria. Escavou-se, então, um lagar para obtenção de azeite, como parece testemunhar um peso de sarilho semelhante aos usados nestas estruturas. E foi inserido nesta construção agrícola que se detectou um forno de cozer pão, depois de ter sido destituído da sua função inicial, após o século IV. De par com a pars urbana, a pars rustica seria abastecida de água proveniente de um "tanque-represa" com base revestida a opus signinum erguido junto à ribeira que corre nas proximidades.
A investigação conduzida nas termas permitiu identificar o hipocausto e dois tanques revestidos a opus signinum, ao mesmo tempo que se determinava a ligação entre o domus e o frigidarium. Quanto à domus, propriamente dita, ela revelou uma estrutura bastante delicada, com átrio, peristilo e impluvium circundado de "espelhos de água", assim como determinados pavimentos (incluindo o de um provável triclinium) cobertos de mosaicos policromos de motivos geométricos e paredes decoradas com estuques pintados. Mas, tal como sucede noutros exemplares desta tipologia arquitectónica, a sua estrutura inicial foi alvo de algumas remodelações pontuais, fruto do decorrer dos tempos e das novas necessidades quotidianas que se impunham. Pela análise dos fragmentos cerâmicos recolhidos até ao momento, foi possível identificar duas dessas fases construtivas, ocorridas entre os séculos I e VI d. C.
Relativamente ao espólio associado, encontraram-se vários componentes decorativos, dentre os quais uma carranca com forma canídea e um quadrante solar, para além de um conjunto de fragmentos de cerâmica comum e de terra sigillata, de agulhas, alfinetes de osso, sovelas de ferro, de um molde de cerâmica e de dois "tesouros" de moedas de diferentes cunhagens. Finalmente, foi encontrada uma ara consagrada à divindade indígena Triborunnis por um dos primeiros proprietários da uilla, T(itus) Curiatius Rufinus.
O valor intrínseco deste arqueosítio foi entretanto revestido de maior grandeza com a descoberta de uma necrópole na margem oposta, constituída pelo ustrinum (local de cremação dos corpos) e por mais de duas dezenas de enterramentos com urnas de incineração de inumação, estas últimas sem qualquer espólio, sendo, no entanto, de destacar a presença de uma lucerna decorada com a figura da deusa Diana numa das sepulturas de cremação.
[AMartins]

Imagens

Bibliografia

Título
""A Domus da villa romana de Freiria", Al-madan"
Local
Almada
Data
2001
Autor(es)
CARDOSO, Guilherme, ENCARNAÇÃO, José d'



Título
""Villa romana de Freiria", Al-madan"
Local
Almada
Data
1999
Autor(es)
CARDOSO, Guilherme, ENCARNAÇÃO, José d'



Título
""12ª Campanha na villa romana de Freiria (S. Domingos de Rana, Cascais)", Al-madan"
Local
Almada
Data
1996
Autor(es)
CARDOSO, Guilherme, ENCARNAÇÃO, José d'



Título
""Trabalhos arqueológicos em Freiria", Al-madan"
Local
Almada
Data
1992
Autor(es)
CARDOSO, Guilherme, ENCARNAÇÃO, José d'



Título
""18ª campanha na villa romana de Freiria", Al-madan"
Local
Almada
Data
2002
Autor(es)
CARDOSO, Guilherme, ENCARNAÇÃO, José d'



Título
""Notas sobre a ocupação proto-histórica na villa romana de Freiria", Revista de Guimarães"
Local
Guimarães
Data
2002
Autor(es)
CARDOSO, Guilherme, ENCARNAÇÃO, José d'



Título
""Villa romana de Freiria. 15ª campanha de escavações", Al-madan"
Local
Almada
Data
1999
Autor(es)
CARDOSO, Guilherme, ENCARNAÇÃO, José d'



Título
""Economia agrícola da região de olisipo: o exemplo de lagar de azeite da villa de Freiria", Économie et Territoire en Lusitanie romaine"
Local
Madrid
Data
1999
Autor(es)
CARDOSO, Guilherme, ENCARNAÇÃO, José d'



Título
""Um tesouro monetário do Baixo Império na Villa de Freiria (Cascais)", O Arqueólogo Português"
Local
Lisboa
Data
1997
Autor(es)
CARDOSO, Guilherme



Título
""A villa romana de Freiria (Cascais) e o seu enquadramento rural", Revista de Arqueologia da Assembleia Distrital de Lisboa"
Local
Lisboa
Data
1995
Autor(es)
CARDOSO, Guilherme, ENCARNAÇÃO, José d'



Título
""Villa romana de Freiria. Campanhas de 1997 e 1998", Al-madan"
Local
Almada
Data
1998
Autor(es)
CARDOSO, Guilherme, ENCARNAÇÃO, José d'



Título
""Cascais no tempo dos romanos", Revista de Arqueologia"
Local
Lisboa
Data
1990
Autor(es)
CARDOSO, Guilherme, ENCARNAÇÃO, José d'



Título
""A Villa romana de Freiria (S. Domingos de Rana)", Arqueologia"
Local
Porto
Data
1988
Autor(es)
CARDOSO, Guilherme, ENCARNAÇÃO, José d'



Título
""Villa romana de Freiria. 2ª campanha", Informação Arqueológica"
Local
Lisboa
Data
1987
Autor(es)
CARDOSO, Guilherme, ENCARNAÇÃO, José d'



Título
""Freiria", Informação Arqueológica"
Local
Lisboa
Data
1986
Autor(es)
CARDOSO, Guilherme, ENCARNAÇÃO, José d'



Título
""Subsídios para a carta arqueológica do concelho de Cascais", Arquivo de Cascais"
Local
Cascais
Data
1984
Autor(es)
CARDOSO, Guilherme, ENCARNAÇÃO, José d'



Título
""Quadrante solar romano de Freiria (S. Domingos de Rana)", O Arqueólogo Português"
Local
Lisboa
Data
1987
Autor(es)
CARDOSO, Guilherme



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